O Interior do avesso entrevistou os “Khaganiço Orchestra”. Uma banda que, segundo os próprios, “permite a um grupo de jovens músicos da Sociedade Filarmónica Fraternidade de S. João de Areias experimentarem novos caminhos, extrapolando a formação musical mais clássica com bem conseguidos arranjos de muitos sucessos. “Hits” portugueses como internacionais, reformulados sempre com recurso aos instrumentos mais habituais numa orquestra filarmónica do que em banda pop ou rock.”

Como e quando surgiu o projeto Khaganiço Orchestra? E o porquê do nome?

O grupo “KHAGANIÇO ORCHESTRA” nasceu em 2012 no seio da Sociedade Filarmónica Fraternidade de São João de Areias com o nome de “KHAGANIÇO”, sendo constituído exclusivamente por músicos dessa banda. Surgiu como forma de alguns jovens músicos amigos extravasarem a alegria e a paixão pela música, actuando em animação de rua e palco.

Aquando da primeira actuação, pensaram acima de tudo no repertório, na coreografia e na indumentária. Como era algo que nunca tinham feito antes, não se lembraram de que era necessário um nome. Quando alguém se lembrou disso, para os apresentaram em palco, um deles disse “Caga nisso” como quem diz que não é importante e assim ficou! 

Como é que definiriam o vosso estilo de música? Porque decidiram avançar por este caminho?

Temos a constituição de uma Brass Band, e por isso é óbvio que não poderiam faltar no nosso repertório músicas próprias para Brass Band, no entanto a nossa grande aposta, neste momento, são covers de hits portugueses e internacionais. 

Decidimos enveredar por este género de arranjos musicais para ir de encontro ao gosto do público e por também ser da nossa preferência.

Quais são as vossas influências musicais? Existe algum músico ou grupo que vos sirva de referência enquanto artistas?

Quando iniciámos o projecto, inspiramo-nos nos portugueses “Kumpania Algazarra” por ser uma banda cujo estilo proporcionava uma maior interacção com o público, o que nos agradava.

Como não é fácil uma banda dar-se a conhecer com músicas originais, foi essa a nossa opção inicial para levar a bom porto este projecto.

Com o tempo fomos seleccionados músicas de diversas brass bands, tanto portuguesas como internacionais, não tendo por isso uma só banda como referência.

Que tipo de mensagens tentam passar nos vossos espetáculos, nas vossas músicas e letras?

Esperamos através das nossas actuações, tanto itinerantes como em palco, proporcionar um espectáculo animado. Pretendemos que seja abrangedor das várias faixas etárias e acima de tudo que todos se divirtam. 

Pretendemos destacarmo-nos não só através da vertente musical mas também pela vertente artística. Ou seja, aliar a música ao espectáculo  visual, algo digno tanto de se ouvir como de se ver.

Em plena crise pandêmica, os espetáculos que iam ocorrer foram cancelados ou suspensos. Que plataformas têm utilizado no meio digital para promover a banda e que dificuldades têm sentido?

Tendo em conta que não podemos fazer actuações, nem juntar-nos, temos utilizado as redes sociais (Facebook, Instagram, Youtube…), para promover a banda, como é o caso deste vídeo com letra original.

As dificuldades, nesta altura, são mesmo a impossibilidade de conseguirmos juntar-nos para ensaiar.

Acabam de cumprir oito anos de vida, querem fazer uma pequeno balanço sobre este período?

Durante estes oito anos, muita coisa mudou. Fomos evoluindo tanto em género de música como em coreografias. Actualmente, preferimos de longe o espectáculo de rua em detrimento dos concertos em palco.

Apesar de termos oito anos de existência, este projecto só começou a ter maior relevância nos últimos três, altura em que muitos dos elementos atingiram a maioridade, podendo assim comprometer-se profissionalmente.

Acabam de lançar um videoclip para a comemoração dos vossos oito anos de existência e aproveitaram também para passar uma mensagem com responsabilidade social. Como foi o processo de gravação e transformação do vídeo? 

Devido à época de confinamento, foi deveras complicado elaborar este projecto e cada um de nós teve de ser bem inventivo! Cada elemento foi desafiado a gravar pequenos vídeos, em sua casa, com as condições possíveis, temos como referência a letra da música, o seu próprio instrumento e a imaginação individual.

O trabalho final, apesar de deveras complicado, foi bastante gratificante por ver o empenho e imaginação da maior parte dos elementos, como poderão apreciar.

Porquê decidiram utilizar o vosso vídeo de celebração dos oito anos para, ao mesmo tempo, passar a mensagem #Fiquem em casa?

Como infelizmente não podíamos celebrar o oitavo aniversário do grupo com público, como gostaríamos, decidimos fazer um vídeo que fosse ao mesmo tempo divertido e instrutivo. 

Sendo assim, decidimos criar algo  que incentivasse as pessoas a cumprirem as ordens de ficar em casa mas de uma forma engraçada e criativa, com cenas fora do habitual. Com isto, queremos demonstrar que há sempre formas diferentes de passar o tempo, nem que seja a fazer vídeos cómicos sobre o confinamento.

Atendendo ao facto da maioria dos vossos espectáculos serem realizados na Beira Baixa, nomeadamente na região da Cova da Beira (Fundão e Covilhã). Quais as dificuldades que encontram/encontraram para desenvolver este projeto na Beira Alta (Santa Comba Dão), onde são residentes?

Apesar de na nossa zona existirem eventos gastronómicos e culturais, não são comparáveis com os realizados na Beira Baixa em quantidade, qualidade, afluência de público ou tipo de programação. Nesses festivais, é hábito, na mesma noite, desfilarem pelo evento 2 ou 3 fanfarras do género da nossa. Daí haver uma maior procura dos nossos serviços para aquela zona.

Que projetos têm planeados para o futuro?

Devido à epidemia que nos assola, ficámos com alguns projectos em stand-by, como gravações e ensaios de novo reportório. Por outro lado, ficámos com mais tempo para preparar outros projectos tais como novos arranjos, músicas e letras originais.

 

Membros da banda

Ângelo Durães
Ângelo Santos
António Neves
Diogo Miranda
Diogo Ribeiro
Hugo Cordeiro
Marco Correia
Miguel Henriques
Rafael Borges
Ricardo Rocha
Rui Pedro Marques

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