Ontem, a candidata às presidenciais Marisa Matias esteve em Viseu para um comício virtual. Além do SNS e dos lábios vermelhos contra o fascismo, falou-se sobre a necessidade de olhar o interior e as suas populações com outros olhos e, em Mirandês, sobre as barragens da Terra de Miranda.

A abertura do comício ficou a cargo do projeto Músicas da Raya, de Paulo Meirinhos, Mirandês do grupo Galandum Galundaina, e do raiano de Zamora Luis Antonio Pedraza. Por entre as músicas interpretadas, Paulo Meirinhos não perdeu a oportunidade de intervir sobre a questão da venda das barragens do Douro Internacional, pela EDP, com aval do Estado, sem pagamento de impostos, sobre a qual Marisa Matias recentemente se inteirou.

Paulo Meirinhos explicou como na Terra de Miranda, uma zona com cultura e língua própria, é gerado um terço da energia hidroelétrica produzida pela EDP, mas apesar disso, e dos imensos lucros relacionados, nenhuma parte da riqueza resultante é investida na região. “O Estado e a EDP extraem meticulosamente tudo o que é produzido para fora da Terra de Miranda, atrás da riqueza, vão as populações. A Terra de Miranda é a sua população e quando se perde mais de metade, é toda a cultura e uma língua que estão a desaparecer, a morrer”.

“Há cerca de um mês, a EDP vendeu as barragens por 2.2 mil milhões de euros, sem qualquer contrapartida e sem o pagamento de qualquer imposto, como é possível? Estes 2.2 mil milhões de euros, são água, sem água nada produzem e é a água que produz a energia e portanto a riqueza”, explicou. Acrescentando que “a isto acresce que o Ministro do Ambiente validou e autorizou previamente o negócio e aceitou um esquema de planeamento fiscal agressivo que dispensa a EDP de pagar cerca de 300 milhões de euros de impostos”, ou de qualquer contrapartida.

Este é um dos exemplos das problemáticas do interior às quais a candidata à Presidência da República não é alheia e nas quais tem estado ao lado das populações. Na sua intervenção, Carolina Gomes, ativista social de Viseu, sustentou que Marisa Matias é a “candidata pelo Interior!”. “Não tenho dúvidas, que a Marisa Matias é a candidata mais firme na defesa do Serviço Nacional de Saúde, bem como a candidata mais firme no compromisso de não deixar ninguém, nem nenhum território, como o Interior, para trás”, destacou.

Carolina Gomes deu alguns exemplos das lutas do interior em que Marisa Matias tem estado, considerando-a “a mulher sem medo que vai onde estão as lutas e as gentes, que se coloca ao lado de quem mais precisa. […] A candidata certa para contrariar os teimosos sentidos da crise e do esquecimento do interior. […] Um território com gente real, com problemas e lutas reais, que a Marisa Matias testemunhou e conhece.”

 

“Façamos do voto o abraço que nos falta nesta pandemia”

Numa semana em que o país voltou a entrar num novo confinamento, Marisa salientou que restrições exigem sacrifícios enormes mas que “ninguém compreende que haja quem aproveite todas estas dificuldades, todos estes sacrifícios, todo este sofrimento, para fazer negócio”, “que se dê apoios de miséria ou nenhum apoio a quem mais precisa enquanto se paga, a preços de oportunismo, a quem se aproveita” ou “que não haja dinheiro para o Serviço Nacional de Saúde, mas nunca falte dinheiro para o negócio da saúde”.

Sobre a eleição do próximo domingo, disse que será uma lição pela liberdade, pela democracia e pela igualdade, e que “se este tempo não nos permite dar as mãos, damos as mãos com o nosso voto”. “Façamos do nosso voto o abraço que nos falta nesta pandemia”, apelou.

Para o deputado José Manuel Pureza, o mais importante destas eleições “é a força que vai ter quem não tem medo de enfrentar os medos impostos pelos de sempre” e diz que o medo de enfrentar a banca, o patronato e os grupos privados na saúde encontra em Marcelo Rebelo de Sousa um “porta-voz político esmeradíssimo”. “Justiça contra o medo, confiança contra o medo, liberdade contra o medo, direitos contra o medo, pensamos nisto tudo e é da Marisa que nos lembramos”, concluiu, enquanto pintava os lábios de vermelho numa referência ao movimento #vermelhoembelém.

O escritor José Luís Peixoto também participou no comício, através de vídeo, e referiu que “num tempo de mentiras abertas e descaradas, num tempo em que se dá o dito por não dito com uma facilidade incrível, Marisa Matias apresenta uma candidatura com memória”. Uma memória, continuou, pelo “reconhecimento da democracia” que “não pode ser esbanjada ou dada como garantida”.

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