A mistura entre o serviço regular de transporte de passageiros e o de turistas provoca enchentes no comboio, principalmente entre o Pinhão e a Régua.

Registos que chegaram ao Interior do Avesso mostram enchentes de passageiros na linha do Douro sem que haja distanciamento entre passageiros. A origem destes ajuntamentos passa pelo acumular de passageiros do serviço regular com os turistas que pretendem a experiência de viajar no equipamento que também é chamado de “comboio miradouro”, por terem janelas panorâmicas que neste caso têm vista para o Rio Douro.

Para Isabel Pires, deputada do Bloco de Esquerda na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, este problema que tem origem em “décadas o desinvestimento em ferrovia levou a um degradar das condições de transporte regular em muitas linhas, nomeadamente as linhas que servem mais o interior do país”, mas também, no caso da Linha do Douro, na tentativa de aproveitar “ao máximo a sua potencialidade turística, sem atender, primeiro, às necessidades das populações dos concelhos por onde passa”.

“Temos vindo a defender há muitos anos que é preciso uma visão para um Plano Nacional Ferroviário coeso e onde seja feito um investimento robusto”, disse ao Interior do Avesso, reforçando que, neste caso  é “claramente necessário aumentar a oferta, o que significa ter mais carruagens à disposição, bem como priorizar as necessidades das populações antes de saltar para uma linha baseada no turismo”. 

Relembramos que o serviço dedicado ao turismo, com estes comboios históricos, foi encerrado em 2019, tendo a CP anunciado este ano o regresso das carruagens que aguardavam requalificação, mas para fazer as viagens regulares.

Formado por locomotiva e carruagens Schindler, produzidas na década de 40 pela fabricante suíça homónima, pintadas de vermelho e branco, foram recuperadas pela CP depois de parte delas estarem ao abandono. Este material assegurou o serviço de transporte na Linha do Douro, entre 1949 e 1977.

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