Após declarações do presidente da Câmara de Resende ao Jornal do Centro, estranhando as denúncias do Bloco de Esquerda sobre cães a serem mantidos num ‘barraco’ sem condições, o Bloco reage esperando que Garcez Trindade “eleve as suas declarações ao nível de transparência que o cargo que ocupa exige.” 

Nas declarações ao Jornal do Centro, o autarca “estranha as denúncias apresentadas pelo Bloco de Esquerda, de que há cães a serem mantidos em condições de fraca higiene e saúde perto do Matadouro Municipal”, considerando que o partido quis fazer escândalo: “eu teria de perguntar ao BE porque é que está a fazer só agora este escândalo, porque temos este projeto com o concelho de Baião [construção de um canil intermunicipal] e já está feito o procedimento para abrir concurso”.

Em causa está um ‘barraco’ sem condições, propriedade do município, onde eram colocados cães, que foi demolido recentemente, como noticiou o Interior do Avesso (Resende: fim do ‘barraco’ sem condições que servia de canil).

O Bloco de Esquerda emitiu um comunicado de reação, considerando “certamente que este tipo de declarações pertencem ao mundo do Partido Socialista local, mas não envolvam o Bloco de Esquerda nesse jogo. Os animais e a população de Resende tiveram uma vitória com o fim daquele espaço, as declarações apenas são a expressão de um mau perder. Agora é preciso esclarecer e não atirar areia para os olhos da população.”

O comunicado, subscrito pelo Grupo de Trabalho Pela Defesa dos Direitos dos Animais,  Núcleo do Douro Sul do Bloco de Esquerda e Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda, esclarece que o Bloco “denuncia a grave situação de desrespeito pelo bem estar animal desde 2018 junto das autoridades (SEPNA e APA), junto da população, junto da Comunicação Social e junto da Câmara Municipal, que nunca se dignou a responder.”

Remete ainda a situação de “escândalo” para o município que demorou dois anos a resolver o assunto em questão, “‘escandaloso’ é a informação de que, até julho de 2018 e em Resende, já tinham sido fiscalizados mais dois locais para depósito temporário de animais que “não cumpriam as normas e que foram levantados cinco autos pela GNR”, segundo informações em reportagem da SIC, nunca contestadas”. O comunicado continua a enumerar casos de respostas de entidades sobre a situação , “‘escandaloso’ é saber, através de resposta do governo ao Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, que a DGAV Norte foi contactada pelo SEPNA para que “interditasse esta prática” até que fossem reunidas “condições próprias de um CRO”, o que não aconteceu.”

O Bloco lança ainda várias questões que não se coadunam com as declarações do autarca: se “o espaço tinha as condições necessárias, então o porquê da decisão de o destruir? Porque foram os animais que lá estavam em 2018 resgatados por ativistas da causa animal que registaram o mau estado em que se encontravam?”. Mas considera ainda mais grave a ausência de resposta, ao longo destes anos, sobre o destino de todos os animais que passaram pelo local em causa, “foram abatidos apesar de estarem saudáveis? Andou a Câmara Municipal a desrespeitar a lei matando animais de companhia apenas porque são indesejados? Se isso não aconteceu, porque nunca houve resposta ao Bloco e porque nunca foi tornado público o destino que tomaram todos os animais que ali passaram?”

 

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