Foto por despedimentos.pt

A Visabeira está a pressionar trabalhadores dos escritórios do Palácio do Gelo a assinar uma declaração que os responsabiliza por não passarem a regime de teletrabalho. Quem não assina receia represálias e assédio moral.

Segundo denúncia recebida pelo Interior do Avesso, com a entrada de Viseu na lista dos concelhos em risco esta segunda-feira, dia 16, a Visabeira começou na semana passada a exercer pressão para que os trabalhadores dos escritórios do Palácio do Gelo continuassem a trabalhar no mesmo local, rejeitando o regime de teletrabalho, não por falta de meios técnicos, mas para “gerirem melhor o trabalho”.

No Palácio do Gelo encontram-se os escritórios dos serviços administrativos do Grupo Visabeira, SA; Viatel SA e Visabeira, SA. Na sexta-feira passada, segundo a fonte da denúncia, terão informado os funcionários destes escritórios de “que o teletrabalho seria obrigatório visto Viseu estar nos concelhos de risco, mas que «agradeciam» aos colaboradores virem trabalhar na mesma para os escritórios em vez de irem em teletrabalho.”

Esta segunda-feira, de um gabinete com mais de 100 pessoas, apenas 10 ficaram em teletrabalho, pois os restantes temem represálias. Aos que compareceram no local, foi entregue uma “declaração para assinarem em como assumiam a responsabilidade de estar a trabalhar nos escritórios.”

O decreto mencionado na declaração refere “especificamente que as empresas privadas não podem ter mais de 50 colaboradores no mesmo espaço”, sublinha a fonte. Denunciando ainda que apenas “na última semana se procedeu ao distanciamento de secretárias, tendo pelo menos 20 pessoas saído do gabinete em questão, porque surgiram 4 casos positivos”.

Por medo, os trabalhadores estão a assinar a declaração. “A empresa/chefes fazem assédio moral para convencerem os funcionários a irem trabalhar mas como não podem impedir então cumprem a lei e ameaçam com represálias. As pessoas que não obedecem não são despedidas, são colocadas em funções diferentes, colocam na «prateleira» e fazem pressão psicológica até a pessoa se demitir. Eles não querem despedir ninguém para não ficarem mal vistos.”

A situação não é nova, pois já durante a primeira vaga da pandemia foram inúmeras as denúncias sobre abusos laborais por parte da Visabeira. Já então se verificou a recusa do teletrabalho nestes escritórios, embora sem a declaração, alegando falta de condições técnicas e de equipamentos, o que neste momento já não se verifica, segundo a denúncia.

 

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