A estátua do ditador Salazar já esteve no Largo do Tribunal da cidade de Santa Comba Dão. Há 43 anos atrás, a 5 de Fevereiro de 1978, um movimento popular transformou esta estátua e deixou-a como se vê aqui na imagem ao lado.

Quem viveu este momento tem a sua estória, a sua perspectiva, sobre os eventos desse dia. Houve uma manhã em que eu encontrei esta linda fotografia no arquivo do meu avô. O que é isto? É o Salazar sem cabeça – respondeu-me prontamente. Eu era já um homem, ou um jovem adulto, como dizem, e fiquei intrigado como nunca tinha ouvido falar daquela estátua. O que tinha acontecido? Com a correria do dia, levei esta inquietação para a mesa para almoçar com a minha família. Ouvi então uma viva discussão! Alguém, um grupo organizado de gente, rebentou com a cabeça do ditador, só três anos virados da revolução! Para as autoridades da época tratou-se de um acto de vandalismo. Não se faz uma coisa dessas, gente maluca! – dizia a minha avó. Tem juízo mãe! Estás a defender aquele assassino ditador! Polícias a cavalo na rua a perseguir a multidão que se escondia aflita nas casas vizinhas. No meio da confusão, um tiro da polícia. Alguém que estava acautelado à janela morreu.

Para os Historiadores que estudam a cultura material, os objectos e instrumentos contam uma História a partir da sua materialidade. Ou seja, todas as marcas sobre um objecto são uma janela para perceber um tempo, uma forma de entender como se vivia. Gostava muito que se falasse e se entendesse melhor momentos como este que fala esta fotografia, esta estátua. Trago por isso um desafio: Quem sabe como a estátua de Salazar perdeu a cabeça? Ou como se marcou este antigo monumento? 

Envie a sua estória ou dos seus familiares em formato escrito, ou em vídeo, por e-mail para cao.joao@gmail.com.

 

Desafio promovido pelo autor do artigo.

Tem raízes familiares e estima pela Natureza do interior e por isso vontade de conhecer melhor e mostrar este avesso. É trabalhador comunitário num bairro na costa do Estuário do Tejo e líder associativo. Estuda na academia e põe em prática abordagens participativas à investigação científica, a chamada ciência cidadã.

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