Já passaram mais de três anos e não podemos esquecer que foi em 2017 que o país foi assolado por um dos maiores incêndios de que há memória. Ardeu mais, nesse ano, do que nos últimos dez anos anteriores. Metade da área ardida resultou dos incêndios de outubro. A região centro do país foi a mais afetada. Foram consumidos quase 500 mil hectares de floresta. Muitas casas ficaram igualmente destruídas. Se tal não bastasse, esse ano ficou marcado por mais de uma centena de mortes resultantes dos incêndios. 

Houve, por parte do poder central e das autarquias, um ímpeto de revolta contra o sucedido, levando-os no calor do acontecimento, a encetar por medidas de reflorestamento. Foram inclusive mobilizados vários setores da população, com crianças e jovens envolvidos.

Recordo algumas de muitas iniciativas que então tiveram lugar:

‒ Em novembro de 2017, o município de Resende participou ativamente na ‘Semana da Reflorestação Nacional’. Uma iniciativa do Movimento Plantar Portugal, de defesa da floresta e da reflorestação. Foram plantadas centenas de árvores;

‒ Em dezembro de 2017, o município de Mangualde e a Junta de Freguesia de Espinho, conjuntamente com várias entidades do concelho, uniram esforços no sentido de reflorestar a sua freguesia, tão fustigada pelos incêndios. Começaram a plantar diversas espécies de árvores autóctones;

‒ Ainda em dezembro desse ano, realizou-se uma Caminhada pela Floresta, para reflorestação da mata de Nossa Senhora da Pégada, organizada pela Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Póvoa da Pégada (Carregal do Sal). Nesse mesmo momento, decorria um evento dirigido à população de São João de Areias com o objetivo de informar e debater junto dos cidadãos a importância da reflorestação;

‒ No mês seguinte, em janeiro de 2018, a Câmara Municipal de Carregal do Sal e a APFPB (Associação de Produtores Florestais do Planalto Beirão) lançaram um projeto de apoio à reflorestação do Concelho. Na Feira da Pinha e do Pinhão desse ano, as duas entidades tinham um stand próprio, onde através de um formulário de pré-adesão ao projeto, incentivavam à plantação de duas espécies autóctones, o pinheiro manso e o carvalho;

‒ O Politécnico de Viseu levou a efeito, em fevereiro de 2018, uma sessão de reflorestação com árvores autóctones cedidas pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas. O local escolhido para a plantação foi quinta da Alagoa, na Escola Superior Agrária de Viseu;

‒ A Associação Portuguesa de Educação Ambiental, através do seu Núcleo de Viseu, e a Asociación para la Defensa de la Naturaleza y los Recursos de Extremadura promoveram em março de 2018, diversas ações de reflorestação “Planta Bosques Portugal” nos concelhos de Tondela e Santa Comba Dão;

‒ Trezentos e cinquenta motociclistas, através da iniciativa “Portugal de Lés-a-Lés”, ajudaram na reflorestação nacional, tendo começado em fevereiro de 2019 em Vila Pouca de Aguiar;

‒ Em outubro de 2010, o município de Oliveira do Hospital entregou 120 mil árvores autóctones para ações de reflorestação. Trata-se de espécies autóctones, para incentivar os proprietários florestais a arrancarem os eucaliptos que nasceram espontaneamente.

E depois disso?

Muito pouco se fez! Não nos podemos deixar levar pelo esquecimento! Temos muito que fazer. A serra do Caramulo tem de voltar a ser verde. As margens do rio Mondego e do rio Dão têm de voltar a embelezar os rios, com o manto florestal que outrora existia.

Mesmo em tempo de pandemia, não podemos esquecer os problemas ambientais. Portanto fica o desafio: Vamos a isso!

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Professor, de 52 anos.
É natural de Carregal do Sal, onde reside e trabalha, sendo no momento docente do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal.

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