Foto por Toni Frissell - Frida Kahlo, seated next to an agave

Querida Frida,
Cuja alma reina ainda onde nós, meros mortais, temos a honra de ouvir, ler e ver sobre ti.
Por muito tempo pensei em dedicar-me às artes, em fazer dos pincéis e lápis a minha vida, mas aí encontrei a escrita, que está para mim como as tuas “armas” coloridas estavam para ti.
Tenho a audácia de tratar-te por “tu”, porque por mais misteriosa e enigmática que fosses sinto que te conheço tão bem como os traços gravados nas minhas mãos.
Relato sempre que gostava de te ter conhecido, de me ter deliciado com as tuas obras e encantos enquanto viva, mas assim não foi, mas prometo que enquanto for viva farei da tua obra imortal, porque é assim mesmo que te descrevo, sempre, uma lenda que jamais será extinta do mundo.
Na realidade gosto muito de te apelidar de “Minha Frida” porque apesar de detestar rótulos e posse, sinto-te sempre como minha, sinto-te em cada passo do meu quotidiano, sinto-te viva e perto, sinto-te intemporal, imortal.
As pessoas que te relembravam diziam que eras luz, que irradiavas felicidade mesmo quando a dor tomava conta de todo o teu corpo e ser, recordavam-te sempre com um sorriso e com uma vontade viva de ajudar e mudar o mundo, na realidade é assim mesmo que te imagino, maior que a dor, maior que todas as tuas lágrimas que tentaste afogar com o álcool mas “que aprenderam a nadar”, como uma borboleta que voava livre, por vezes acompanhada do seu gigante Rivera, como destemida, como uma mexicana que levava as suas raízes até à “gringolândia”, com todas as cores difundidas e esfumadas numa tela que te refletia tal qual como espelho.
A tua veracidade era rara, dada como surrealismo, de tão crua e despida de fantasia que era.
Ninguém escutava a tua dor tão bem como Diego mas nunca ninguém te magoara mais que ele, mas a tua resiliência fez com que te permitisses perdoar para te libertares de ódio e dor.
Querida Frida, tenho em mim todos os sonhos possíveis, tenho em mim partes do teu legado vasto, partes de ti que jamais deixarei morrer, que cantarei enquanto puder, partes de ti que fazem de mim única. Sei que tinhas consciência de que também o eras, que a tua força residia aí mesmo, na tua autenticidade e singularidade.
Foste a mexicana do século XX, mas serás para sempre a Frida do mundo, que para ti será sempre intemporal.
Sei que não querias vida após a morte, mas espero que a tua obra e vida não conheçam menos do que a eternidade.
Com admiração,
Mia.

Mia Filipe, jovem natural de Resende desde o ano do seu nascimento, 2004, e atualmente estudante de Línguas e Humanidades na ESDEM.

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