No orçamento para 2020, estavam orçamentados 9.9 mil milhões de euros, por causa da pandemia o estado viu-se obrigado a um orçamento suplementar, que adicionou 0.5 mil milhões à saúde (total de cerca de 10.4 mil milhões de euros). Para 2021, o orçamento aprovado prevê cerca de 10.3 mil milhões, que se por um lado é uma verba superior ao orçamento inicial para 2020, por outro, fica aquém do total orçamentado com o suplementar, cerca de 10.4 mil milhões. A pandemia ainda não acabou, todas as áreas da saúde foram descuradas, adiadas, ignoradas. Mas vamos ter que voltar a elas, nunca deviam ter sido postas de lado mas o voltar a elas, implica um investimento que não foi feito, não foi considerado, mas vai ter que ser pago. Não faria sentido apostar em grande? Os demagogos dizem que o investimento é maior, que não se gastou tudo. Pois não, mas o que se gastou não foi direccionado para o que era suposto e ainda faltam vir as contas dos privados, que atenderam os não covid direccionados pelo SNS, ainda falta tratar as pessoas que se viram privadas do SNS básico e falta saber quando acaba a pandemia. Morreram este ano em Portugal, mais pessoas do que alguma vez morreram desde que há SNS (1979), aliás, não morria tanta gente em Portugal desde 1949. Se isto não é significante, para que se altere o paradigma, talvez olhar e ver que para o ano, provavelmente, ainda vão morrer mais o seja. Como se não bastasse, a pandemia serviu para o estado reduzir, desactivar ou pôr em hibernação, por tempo indeterminado, serviços básicos do SNS, como os sap de proximidade, os serviços de diagnóstico dos centro de saúde, como radiologia, que não havendo sap, de pouco servem, bem como vários técnicos de saúde, presentes nos centros de saúde locais, estão neste momento a cumprir horários, sem pacientes, sem trabalho, sentados numa secretária, a aguardar que passem as horas que lhes competem. O estado demitiu-se de cuidar, de tratar e proteger os seus cidadãos. Demitiu-se de proteger e apostar no seu bem mais precioso. O SNS. É esta a saúde do Estado. É este o estado da Saúde. A pandemia não é, nem pode ser, desculpa para tudo.

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Simão. De artes. De esquerda. 1m e 63. Ajudante de todas as secções. Pai orgulhoso da Leonor e do Simão.

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