Fire Masks de Lee Miller

Sempre acreditei que o Universo tem a sua própria forma de equilibrar o Planeta Terra com as suas “leis”, quando as mesmas estão em desequilibro.

Vivemos momentos de introspeção individual e colectiva, que podem refletir-se em vários tipos de emoções, nesta situação negativas (sinais de alerta), como o medo, a raiva, a culpa, que podem despertar anomalias com variadíssimas consequências e paradoxos. Fazem-me pensar.

Numa época em que as mudanças climáticas causadas pelos desastres ambientais (mia culpa) atingiram níveis desastrosos, a China em primeiro lugar e à posteriori os restantes países, forçados a parar, a economia entra em colapso, a poluição diminui de forma considerável, o ar melhora, usa-se máscara mas respira-se!

Numa perspectiva realista, vemo-nos confrontados a que certas ideologias e políticas discriminatórias com fortes referências a um passado desprezível, amorfo, estejam a despoletar novamente como se de um “modo revivalista” se tratasse no mundo inteiro.

Eis que aparece “O VÍRUS” que nos faz ver, que num instante, podemos tornar-nos os discriminados, os segregados, os presos na fronteira, os portadores de doenças.

Mesmo que a culpa não seja nossa, mesmo que sejamos brancos, ocidentais ou viajemos em classe executiva.

Vivemos numa sociedade baseada na produtividade, em modo de sobrevivência, hipervigilantes, numa sociedade fragilizada, “doente” devido ao comportamento consumista que nos foram incutindo desde tenra idade para reprodução (massiva) conveniente, em que todos corremos em média 12 horas por dia atrás do desconhecido, reflexo de muitas pessoas sem sábados nem domingos.

De um momento para o outro, PAROU, PAROU TUDO.

Dias e dias para contar, com um tempo cujo valor fomos perdendo. Se o mesmo não for utilizado em prol da satisfação egocêntrica ou em prol do dinheiro, ainda sabemos o que fazer com o tempo?

Numa fase em que o crescimento dos filhos é muitas vezes por necessidade delegado a outras figuras e/ou instituições, o “vírus” fecha as escolas e obriga-nos a encontrar soluções alternativas para voltar a colocar a família junto dos filhos.

Será que devemos (re)começar a (re)estruturar uma nova família?

Numa perspectiva dinâmica, onde as relações interpessoais, a comunicação, a socialização são lançadas principalmente para um “espaço virtual” das redes sociais dando-nos a ilusão de proximidade, o “vírus” tira-nos a verdadeira proximidade, sem toque, sem beijos, sem abraços.

Numa fase social em que pensar no próprio “umbigo” tornou-se a regra, o “vírus” transmite-nos uma mensagem clara – a única saída é a reciprocidade, o sentido de pertença, o civismo, o respeito pelo outro, o sentido de comunidade.

O sentido de comunidade deve ser partilhado, percebermos que consequências diversas dependem das acções de todos e de cada um.

Posto isto, se pararmos de fazer uma caça feroz às bruxas, querendo a todo o custo atribuir uma culpa, nesta fase devemos concentrar a nossa energia, recursos individuais ou colectivos de forma a perceber o que podemos aprender com esta mudança sistémica (familiar, pessoal, social, etc.).

Como sociedade, temos muito para pensar e para modificar, assim o queiramos.

O “vírus”, corrompe, asfixia, amordaça, MATA!

Nasceu e cresceu em Vila Real. Psicóloga de formação. Desde cedo, manifestou interesse pelas questões sociais e políticas. Ativista pelos Direitos Humanos, integrou o Movimento “Que se Lixe a Troika”, coopera com a Rede 8 de Março entre outros movimentos/colectivos nacionais e locais. É Co-Fundadora e membro activo da Catarse-Movimento Social.

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