Ed Roberts, Adolf Ratzka, Judy Heuman ou Stella Young, foram precursores no ativismo e nas lutas e conquistas do Movimento Internacional das Pessoas com Deficiência, por direitos civis e humanos. Numa perspetiva anglo-saxónica (Austrália, Inglaterra e Estados Unidos), mas que urge despertar em Portugal, atribuindo um verdadeiro significado ao lema “Nada Sobre Nós Sem Nós”, a Associação CVI – Centro de Vida Independente – Delegação de Vila Real, em parceria com o Museu da Vila Velha, tem o grato prazer de apresentar no próximo sábado, dia 7 de dezembro, pelas 16h, o documentário Defiant Lives (2017), realizado pela Australiana Sarah Barton. O evento pretende ser um espaço amplo de reflexão e debate sobre ativismo e os direitos das pessoas com deficiência e será aberto a toda a comunidade. Sintam-se convidados. Apareçam.

Seria simples passar apenas esta curta mensagem, no entanto, importa que reflitamos um pouco mais a temática neste Interior do Avesso. Senão vejamos: neste ano de 2019 passam 10 anos, um número bem redondo, sobre a ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas, a 13 de dezembro de 2006. Tudo já está escrito e com valor jurídico e vinculativo. Bastará consultar o documento. Mas vocês perguntariam no imediato, justamente porque se interessam por estas matérias: então porque é que continuamente e de forma diária, se constata que as pessoas com deficiência são discriminadas e oprimidas no nosso país? E eu responderia de supetão. Porque não existe, ainda (é necessária vincar o ainda), um forte movimento de pessoas com deficiência em Portugal, com absoluta consciência dos direitos que todos os dias lhe são sonegados. Em todas as dimensões da Vida Independente, fulcrais que são num país supostamente desenvolvido. Um movimento, que sobretudo queira alicerçar as lutas que se avizinham num coletivo. Forte e exigente. Por exemplo, a luta por uma lei geral de assistência pessoal com o devido cabimento em sede de orçamento de Estado. Ou então, a luta pelo encurtamento temporal no financiamento dos produtos de apoio.

O movimento de ativismo/ativistas vai e está a ser criado, numa postura científica e de discurso concertado, também de união, mas indubitavelmente de teor reivindicativo. Numa mudança clara de paradigma. Consubstanciada no Modelo Social da Deficiência (motivo de um próximo escrito). Afinal falamos, tão somente e como referido, de direitos civis e de direitos humanos.

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O CVI - Centro de Vida Independente, é uma Associação sem fins lucrativos, formalizada em 2015, mas com atividade desde 2014. Tem por missão promover a qualidade de vida das pessoas com diversidade funcional, intelectual e sensorial (deficiência), a nível social e económico, dando a conhecer e ajudando a implementar, na prática, o conceito de Vida Independente. O CVI Norte consubstancia estes mesmos ideais e valores, unindo as Delegações de Vila Real e do Porto.

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