Organizações saúdam programa do Governo, mas colocam muitas reticências quanto aos valores a aplicar e classificação de prioridades. MESA e ZERO também duvidam que a lista inclua todas as escolas com amianto.

Em comunicado enviado às redações, o Movimento Escolas Sem Amianto (MESA) e a associação ambientalista ZERO saúdam a intenção de remover o amianto das escolas, mas duvidam que os 60 milhões anunciados pelo Governo no âmbito do Programa de Estabilização Económica e Social sejam suficientes para a remoção do amianto das cerca de 570 escolas de todo o país.

“Esta é uma boa notícia e é o resultado de uma luta de mais de ano e meio, que juntou muitas dezenas de agrupamentos de escolas e tantas outras pessoas e organizações preocupadas com o estado dos respetivos equipamentos escolares, no entanto, coloca-nos muitas dúvidas, desde logo, tendo em conta o número de escolas e o estado de degradação de algumas, se o valor será suficiente”, aponta André Julião, coordenador do Movimento Escolas Sem Amianto (MESA).

Outra dúvida levantada pelas associações é acerca do prazo de execução destas obras e que seja possível terminar as obras a tempo do início do novo ano letivo. “Duvidamos também que a lista inclua todas as escolas com amianto e, tendo em conta as datas previstas para o início do novo ano letivo, se haverá tempo suficiente para lançar procedimentos, adjudicar, iniciar e concluir as obras em todas, pelo que tememos que muitas se arrastem pelo início do ano escolar”, acrescenta o líder do MESA.

As associações apontam ainda a falta de transparência quanto aos cumprimento dos critérios sobre a gravidade da situação em cada escola. “Segundo o Relatório de Progresso do Amianto, até 2020 foram apenas intervencionadas ou previstas remoções em edifícios escolares classificados com prioridade 3 (numa classificação de 1 a 3 em que 3 são os menos prioritários). Passados mais de 30 anos sobre a colocação destes materiais e de exposição aos elementos naturais, dificilmente temos situações em que os materiais estejam em bom estado. A degradação dos materiais vai libertando fibras de amianto que quando inalados representam um risco para a saúde humana, por isso é crucial começar por intervencionar as classificações 1”, afirma Íria Roriz Madeira, arquiteta e membro da ZERO.

“Quanto aos próprios materiais identificados pode ler-se na descrição que acompanha a lista: «a presença de coberturas constituídas por placas de fibrocimento com amianto na sua composição» podendo deduzir-se que ficam de fora inúmeros materiais que podem conter amianto. Ainda que não fossem os mais frequentemente utilizados em escolas, podem existir e esse levantamento tem de ser feito de forma completa e rigorosa”, defende Íria Roriz Madeira.

 

Artigo publicado no Esquerda.net

 

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