Armando Pinto, da Associação Montalegre com Vida, participou no painel “Ambiente do Avesso?”, enquadrando o caso e ponto de situação do projeto da mina de lítio designada como Mina do Romano. Afinal, o que poderá uma mina com 825 hectares mudar em Morgade?

Segundo os últimos dados que a associação tem, a mina será mista, “ou seja, uma parte dela será feita a céu aberto a outra parte será feita em galerias subterrâneas”. “A zona da minha que será a céu aberto irá ter uma dimensão de […] mais ou menos o equivalente a 26 campos de futebol.”

“Também nos foi dito ultimamente que irão ser removidas cerca de 30 milhões de toneladas de rocha provenientes dessa mesma zona da mina a céu aberto. A mina a céu aberto mais a área que será utilizada para levar as escombreiras irão ocupar uma área equivalente mais ou menos de 42 campos de futebol, portanto é uma área brutal que irá ser completamente destruída”, explicou Armando Pinto.

Continuou a explicar que sabem ainda que, ao contrário o que inicialmente foi dito, irão ser utilizados continuamente explosivos na mina que irá laborar 24 horas por dia, “a poucas dezenas de metros” de zonas de habitação. Está ainda prevista uma zona industrial que, segundo dados da empresa, “terá cerca de 200 hectares e ficará mais ou menos a 50 metros da aldeia da Morgade”.

Uma outra preocupação incide sobre o consumo de água. Armando Pinto conta que tiveram conhecimento que “este complexo prevê que sejam consumidos nessa zona cerca de 5 mil metros cúbicos de água por dia, que serão bombados, digamos assim, da Barragem do Alto Rabagão e que serão exploradas as nascentes existentes na serra”.

Esta massiva utilização e exploração de recursos hídricos deixará “praticamente as aldeias envolventes” sem água, quer para regadios de terrenos agrícolas, quer para o próprio consumo doméstico.

Além do mais, acrescenta Armando Pinto, a zona industrial contará com “6 zonas de descarga sendo que três dessas zonas de descarga irão fazer essas mesmas descargas para o rio Beça”, que “contempla uma das espécies protegidas que é o mexilhão do rio”.

“Num raio de 5 quilómetros da Mina existem cerca de 125 explorações agrícolas”, acrescenta. “Nessas 125 explorações agrícolas poderão vir a ser destruídos cerca de 200 empregos. Serão mais empregos que vão ser destruídos do que aqueles que poderão vir a ser criados pela própria mina”.

Desde o seu início que a Associação Montalegre com vida considera que “este processo tem sido muito pouco transparente e ignora por completo toda a população local”, não existindo neste momento qualquer informação sobre o estudo de impacto ambiental. “Consideramos que é tudo muito estranho e com contornos pouco claros, o que mais uma vez nos deixa desconfiados, mais uma vez nos deixa muito pouco confortáveis, mais uma vez sentimos que não podemos confiar nas instituições.”

A região está classificada como Reserva da Biosfera declarada pela UNESCO e Património Agrícola Mundial classificada pela FAO. A zona especificamente concessionada à mina é “uma zona tampão do Parque da Peneda-Gerês”. Tem ainda “nas encostas da mina e nas proximidades da zona industrial, a Barragem do Alto Rabagão, que é uma das maiores, uma das mais importantes, reservas de água potável da Península Ibérica”.

Por tudo isto, Armando Pinto afirma “pretendemos preservar o nosso património ambiental, cultural e salvaguardar a nossa biodiversidade, a qualidade das nossas águas, dos nossos produtos”. “Jamais iremos permitir que algo de grave aconteça na nossa terra, jamais iremos permitir que uma mina desta dimensão, que um projeto desta dimensão, que nós consideramos que é extremamente nefasto para a nossa terra, possa vir a acontecer. Iremos lutar como todos os nossos meios!”

A Associação Montalegre Com Vida marcou uma vigília no próximo sábado, dia 15, com encontro às 17H00 na junta de freguesia de Morgade.

 

Ambiente do Avesso? O panorama ambiental do interior

Associações, Movimentos, Coletivos e Ativistas do Interior partilham as suas perspectivas e lutas pelo ambiente.

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