O Bloco de Esquerda de Vila Real reuniu com a direção do Club de Vila Real, sem sede, depois de ter sido despejado da sua sede centenária na Avenida Carvalho Araújo. Apesar de ter sido classificado como de interesse histórico, cultural e social local, neste momento vive as dificuldades da falta de apoio.

“Na perspectiva do Bloco, o executivo municipal agiu perante o Club como um amigo interesseiro: apareceu para o medalhar com mérito municipal no seu 125° aniversário mas, perante o agravamento das dificuldades em contexto de Covid-19 e perante o despejo da sede centenária da entidade, o executivo escolhe descartar-se das suas responsabilidades de proteção e salvaguarda e puxar dos seus galões em comunicado, tentando cobrar pública, e, ainda por cima, erroneamente, os irrisórios apoios atribuídos à secção cultural do Club”, disse Sérgio Bastos, do Bloco de Esquerda de Vila Real, em declarações ao Interior do Avesso.

Sérgio Bastos acusa a Câmara de Vila Real de apoiar a cultura como “um meio de promoção política antes de um fim em si mesmo.” Considerando “a atitude do atual executivo perante o despejo do Club de Vila Real da sua sede centenária […] apenas mais um exemplo incontornável das prioridades políticas municipais no que à cultura diz respeito.”

O bloquista defende que, uma vez que neste momento o Club já perdeu a sua sede histórica, “o município tome as funções de proteção e salvaguarda que assumiu quando reconheceu o interesse histórico e cultural da entidade e quando a medalhou. Casa para o Club, e já vem tarde!”.

Em julho, através de comunicado, o Club de Vila Real anunciou a saída das instalações centenárias, localizadas na Avenida Carvalho Araújo, por não ter condições para pagar os cinco meses de renda que estavam em atraso desde o início da pandemia da covid-19. 

A direção falava na altura de fala em falta de apoios e ajudas. A Câmara Municipal de Vila Real apoia o Club com mil euros anuais, apesar das despesas da entidade rondarem os 12 mil euros anuais.

Mesmo sem sede, a atividade do Club não parou, conta o seu presidente Luís Cardoso. Promoveu uma “residência artística no final de agosto, que o resultado foi a inauguração de uma exposição em Setembro.” Tem também um projeto com artistas locais que vai desenvolver e apresentar no Teatro de Vila Real”, com apoio da linha de Emergência da DGArtes.

Neste momento, “continuam a fazer esforços para continuar a programar e encontrar sede”. Mas Luís Cardoso admite que as expectativas futuras “vão depender de conseguir algum tipo de apoio local para reabrir e encontrar outra sede porque sem uma sede as coisas tornam-se cada vez mais difíceis”

O Club de Vila Real tem 125 anos de existência e é reconhecido como uma entidade de interesse histórico e cultural ou social local, teve a sua sede durante mais de uma centena de anos na principal avenida da cidade de Vila Real.

Desde 2008, a associação foi responsável por mais de mil eventos culturais, metade dos quais foram concertos, assumindo-se assim como uma das instituições culturais mais ativas e reconhecidas do país. Mas nos últimos anos, o Club não tem passado por bons momentos tendo encerrado em 2017 e reaberto em 2018 com uma nova equipa.

 

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