Left Washing – Como o PS finge ser de esquerda

Left washing – A ideia é simples. O PS, como polvo estendendo os seus tentáculos em busca de eleitorado, tenta fazer-se passar por um partido progressista, de esquerda. Mas não o é, nem as políticas que afirma serem de esquerda o são.

Define-se por greenwashing a atribuição de características ambientalistas a realidades que são, na verdade, nocivas ou que não têm um impacto positivo no meio ambiente. Green significa verde e washing traduz-se, vagamente, por lavar. Um bom exemplo de greenwashing é a apologia da substituição do veículo individual movido a combustíveis fósseis por um veículo individual elétrico.

Aplicando o conceito de greenwashing, podemos falar em left washing, left significando esquerda. A ideia é simples – o PS, como polvo estendendo os seus tentáculos em busca de eleitorado, tenta fazer-se passar por um partido progressista, de esquerda. Mas não o é, nem as políticas que afirma serem de esquerda o são.

Para este left washing, ajuda o facto de o partido se chamar Socialista, apesar de já não o ser desde os anos 70. Essa designação tem permitido à direita radical criar uma falsa narrativa de ataque ao “socialismo”, referindo-se aos governos do PS e não aos verdadeiros partidos socialistas em Portugal, como o Bloco de Esquerda ou o PCP. E diga-se, essa narrativa dá muito jeito a essa direita radical, pois permite criar uma distinção falsa entre as políticas que defendem e as políticas implementadas pelo PS, que são basicamente as mesmas. Das medidas, a direita não pode falar, porque o PS está precisamente a fazer o seu trabalho, de desinvestimento no SNS ou na escola pública e do aprofundamento do fosso entre capital e trabalho.

Promover a escola pública e o respeito pelos direitos dos professores – o PS vota contra. Garante a gestão pública do abastecimento de água e do saneamento – o PS vota contra, tal como PSD e Iniciativa Liberal. Aumento do Salário Mínimo Nacional – o PS vota contra, tal como PSD e IL uma vez mais.

No melhor dos casos, o PS é hoje um partido social-democrata muito moderado. No entanto, e desde 2021, o PS tem feito uma governação centrista, que não anda nem deixa andar. Mais recentemente, o PS chegou ao centro-direita, rejeitando (quase) por completo mexer em mercados, mesmo através de medidas moderadas como um ligeiro imposto sobre lucros extraordinários e aleatórios referentes à inflação, atacando o direito à greve e cortando, de forma bem mal mascarada, aumentos de pensões. A União Europeia chegou a ultrapassar este governo pela esquerda, propondo, em finais de setembro de 2022, um imposto de 33% sobre lucros extraordinários e aleatórios relativos à inflação. Em Portugal, por opção política do PS, isso não aconteceu, e a perda de poder de compra foi a única variável de ajuste no combate à inflação. O PS vem afirmando que “ter contas certas” é uma política de esquerda. Certamente seria se tivesse contas certas com quem vive do seu trabalho, ao invés de se focar meramente em credores e no grande capital.

Desengane-se portanto quem considera o PS um partido de esquerda. O PS procura apenas o eleitorado da esquerda, abrindo a porta para uma radicalização da direita e oferecendo, de mão beijada, milhares de votos à extrema direita fascista. O PS faz left washing.

Nascido na Suíça em 2003, desde tenra idade vive em Mortágua, Viseu. Jovem do interior, estuda Sociologia na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Olha para o Interior como uma região riquíssima e de incríveis potencialidades, mas que tem sido sucessivamente negligenciada.
As preocupações ambientais desde cedo estão presentes na sua vida. Com o advento da Greve Climática Estudantil, rapidamente se juntou às ações de manifestação. Continua e continuará presente nas lutas necessárias e urgentes, como a luta antirracista, antifascista, pelo Interior, ambientalista, feminista, entre outras.

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