Como o PS ajuda a extrema-direita

Temos podido observar, desde o início da legislatura, um conjunto de conflitos entre a bancada da extrema-direita e Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia da República, António Costa, primeiro-ministro, e mesmo dos deputados do PS. O que aparenta ser uma campanha de combate ao CHEGA é na verdade algo que beneficia os fascistas grandemente.
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Temos podido observar, desde o início da legislatura, após as eleições legislativas de 2022, um conjunto de conflitos entre a bancada da extrema-direita e Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia da República, do PS, António Costa, primeiro-ministro, também do PS e mesmo dos deputados desse mesmo partido. O que aparenta ser uma campanha de combate ao CHEGA é na verdade algo que o beneficia grandemente.

É estratégia do Partido Socialista, que de Socialista tem zero, afirmar-se como a única alternativa moderada a todos os partidos, no fundo, apresentar-se como o projeto do “bom senso”, contra todos os radicalismos, sejam os pretensos radicalismos de esquerda ou os reais e palpáveis radicalismos de direita, como o CHEGA. Esta foi uma experiência que o PS experimentou nas legislativas de 2022. Depois de apresentar um orçamento de Estado que não respondia aos problemas do país, o governo minoritário de António Costa sabia que PCP e Bloco de Esquerda, dos quais dependia no Parlamento, votariam contra. Provocou assim eleições, com apoio ativo de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, ganhando maioria absoluta e fazendo disparar o número de fascistas no Parlamento, com óbvias consequências para a democracia portuguesa. Dessa maioria, que prometia a estabilidade que havia, supostamente, sido impossibilitada pelo Bloco e pelo PCP, resultou um cenário de instabilidade e uma resposta insuficiente (por opção política) face à crise da inflação, tão típica do capitalismo. Quem foi portanto o grande beneficiado desta procura sedenta pela maioria absoluta por parte do PS? O CHEGA.

Mas até ao dia de hoje se pode identificar esta estratégia. O PS tem empurrado, sucessivamente, para o CHEGA quase toda a atenção e debate, quase ignorando a esquerda. Uma grande vitória do CHEGA, permitida pelo PS porque lhe dá jeito na luta contra o PSD, foi o início do novo processo de revisão constitucional, sob proposta da extrema direita. Mesmo quando esta desrespeita constantemente a Constituição e a própria existência do partido é inconstitucional. O PS embarca neste caminho sabendo claramente que para a extrema-direita (quase) toda a publicidade é boa publicidade. Quão curioso!

O PS, praticando políticas de centro-direita, tem empurrado o PSD o mais para a direita possível (e o PSD caiu precisamente nessa armadilha, com Montenegro, entre outros personagens do partido, a baixar fortemente o nível do debate político e a aproximar-se rapidamente de IL e CHEGA). É dessa forma que o PS procura conquistar definitivamente o centro político e enfraquecer o PSD a todo o custo, nem que isso signifique dar força ao CHEGA. O PSD, se não fossem os casos e casinhos no governo, perderia nesta situação, quer para o PS quer para o CHEGA. O plano é, em tempo de eleições, alertar para o extremismo do CHEGA ou o fantasma de Pedro Passos Coelho, que alguns procuram alimentar. Nesse contexto, o PS apresentar-se-à como única solução ao problema que eles próprios alimentaram. É a chamada “Macronização”, dadas as semelhanças visíveis, apesar do atraso do caso português, com a situação de França, com grande destaque para Marine Le Pen, líder do maior partido de extrema-direita francesa, fortemente alimentada pelas estratégias de Emmanuel Macron. Que plano sujo para a democracia portuguesa.

Nascido na Suíça em 2003, desde tenra idade vive em Mortágua, Viseu. Jovem do interior, estuda Sociologia na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Olha para o Interior como uma região riquíssima e de incríveis potencialidades, mas que tem sido sucessivamente negligenciada.
As preocupações ambientais desde cedo estão presentes na sua vida. Com o advento da Greve Climática Estudantil, rapidamente se juntou às ações de manifestação. Continua e continuará presente nas lutas necessárias e urgentes, como a luta antirracista, antifascista, pelo Interior, ambientalista, feminista, entre outras.

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