Foto por Hugo Cadavez | Flickr

Chegados ao Verão é altura de decidir onde passar algum tempo de merecido repouso e férias. Um dos destinos possíveis é sem dúvida Portugal. O turismo tem vindo a representar cada vez mais um dos alicerces da economia portuguesa. Os valores são expressivos e em 2017 o consumo de turismo representava 13,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Também o seu contributo para o emprego é significativo, tendo representado em 2016 9,4% do emprego em Portugal 1. Para estes bons resultados contribuem o sol, praias, gastronomia, cultura e a característica singular dos portugueses de saber bem acolher. Também recentemente Portugal voltou a conquistar o prémio de melhor destino na Europa 2. Todo o país ganha com o setor do turismo, com particular destaque para o Algarve, a área metropolitana de Lisboa, a zona norte do país e a região autónoma da Madeira. O turismo no interior continua a ter um enorme potencial de crescimento, tendo um contributo decisivo na economia local de territórios desertificados e envelhecidos 3. Existe inclusive uma Linha de Apoio à Valorização Turística do Interior que se enquadra no âmbito do Programa Nacional para a Coesão Territorial. Esta linha visa apoiar iniciativas turísticas que promovam a coesão territorial 4. Portanto o turismo constitui sem dúvida uma área de sucesso da economia portuguesa. A questão que eu quero colocar neste momento é a seguinte: poderá um país ter um crescimento sustentado no futuro próximo com base apenas no setor dos serviços? De acordo com dados do portal PORDATA em 2018, 294 200 pessoas trabalhavam no setor primário, 1 209 200 trabalhavam no setor secundário e 3 363 300 trabalhavam no setor terciário 5. Portanto o setor de comércio de bens e de prestação de serviços é o que mais pessoas emprega em Portugal. De forma a reduzir o risco e aumentar o potencial de crescimento convém diversificar. Portanto o setor primário e secundário necessitam de ser olhados com outros olhos. Precisamos de uma verdadeira estratégia para a agricultura, piscicultura e indústria do país. Apesar de em 2018 o saldo da balança comercial ter sido na ordem de 1% do PIB 6, o que é positivo, na minha opinião é necessário voltarmos a pensar em reindustrializar o país de modo a equilibrar o peso dos vários setores na economia. E para que isso aconteça é necessário termos em consideração que atualmente Portugal é um país que faz parte da União Europeia e portanto não pode tomar todas as decisões sozinho. Aliás, houve uma quebra no contributo da indústria, agricultura e piscicultura não só em Portugal, mas também na União Europeia. É necessário que se faça este debate não só em Portugal, mas também na União Europeia 7. E para que de fato esta situação se altere é necessário um plano a médio e longo prazo. Claro que é difícil que um plano desses possa existir, porque a turbulência dos mercados e das respetivas crises financeiras tem uma lógica mais assente na especulação o no lucro do que no valor intrínseco do trabalho. Talvez seja altura de refletirmos a sério sobre qual é o modelo de desenvolvimento económico que pretendemos deixar para as próximas gerações.

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Natural da Covilhã e aderente do Bloco de Esquerda. Desempenhou funções em associações de estudantes, desportivas, científicas e de desenvolvimento local. Atualmente é doutorando em Biologia na Universidade do Porto.

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