Quase dois meses depois dos fenómenos meteorológicos extremos que assolaram as produções agrícolas nos concelhos de Armamar e Moimenta da Beira, os apoios prometidos pelo Estado ainda não chegaram aos produtores de maçã.

A promessa de apoios foi feita pela própria ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, no início de junho, de passagem por Moimenta da Beira. Contudo, segundo notícia do Jornal do Centro (JC), com o período de colheita à porta, ainda não chegou qualquer ajuda da parte do Governo.

“A ministra tinha falado num apoio de 40 euros por hectare, sendo que 20 euros eram pagos pela Câmara e os outros pelo Estado, o que é pouco e chega a ser ridículo”, defendeu ao JC Jorge Augusto, da direção da Associação de Fruticultores da Cooperativa de Armamar. 

Já João Silva, responsável pela Cooperativa Agrícola do Távora, sediada em Moimenta da Beira, salienta que os produtores não estão “à procura de esmolas”, são sim necessárias “medidas estruturais” que garantam que os fenómenos atmosféricos extremos, como os registados no final de maio, com trovoada e granizo, não dizimam a produção e sustento dos agricultores.

Também o dinheiro dos seguros de colheitas ainda não terá chegado, com as indemnizações possivelmente a serem pagas só no final do ano. Além do mais, nem todas as perdas têm cobertura e os apoios dependem do volume de prejuízos. Os estragos contabilizados são diferentes nos dois concelhos, em Moimenta da Beira ronda os 25%, mas em Armamar o prejuízo está entre os 70 e os 100%.

“No caso de um pomar com 25%de estrago, o seguro não cobre e ainda temos de lhes pagar”, lamentou Jorge Augusto ao JC. Já em situação de perca total, “o seguro só paga entre 10 a 12 cêntimos pelo quilo da maçã, ou seja, menos de metade do seu valor”, explica Paulo Duarte, um dos sócios da empresa Frutas Proença.

O deputado do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda Ricardo Vicente, membro da Comissão Parlamentar da Agricultura e Mar, também esteve na região. Neste seguimento, o Projeto de Resolução 518/XIV que recomenda ao Governo a criação de um apoio urgente aos produtores afetados por eventos meteorológicos extremos foi aprovado no início deste mês.

No entanto, o Projeto de Resolução 79/XIV, “Pelo fim do financiamento público das culturas agrícolas intensivas e superintensivas e aposta na transição ecológica”, que procurava ser o ponto de partida para uma resposta estrutural para os problemas sentidos pelos agricultores perante fenómenos meteorológicos extremos, foi chumbado com os votos contra do PCP, PS, PSD, CDS e CHEGA.

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