Foto por Miranda do Douro, concelho |Facebook

Uma investigação no âmbito de uma tese de doutoramento da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) estudou modelos para melhorar o aproveitamento hídrico no país. O modelo implica o Aproveitamento de Águas Pluviais (AAP), selecionando os melhores locais para o efeito.

O modelo em questão analisou a captação de água da chuva para uso agrícola e florestal, tendo em conta os valores de sustentabilidade bem como a capacidade de aproveitamento de Águas Pluviais, definindo assim “locais ótimos” dentro das bacias hidrográficas estudadas.

A investigadora Daniela Terêncio em declarações à Universidade FM refere que “os resultados obtidos destacaram a importância das características do local onde se pretende implementar o modelo. A melhor área para fazer o aproveitamento da água poderá depender do pretendido pelo utilizador, sendo que poderá escolher se pretende que o local de captação seja mais perto ou com uma parede do açude mais pequena ou até onde tenha a certeza que terá mais água disponível”.

O modelo foi também reproduzido na bacia hidrográfica do Rio Sabor em sub-bacias que captam a precipitação para o combate aos incêndios e às culturas, verificando assim uma forma de equilibrar a sustentabilidade com o armazenamento de água. A investigadora considera que foi “claramente demonstrado que barragens com 3m de altura são capazes de apoiar a agricultura doméstica ou comunitária pequena, com áreas de irrigação menores que 10 ha, ou auxiliar no combate a pequenos incêndios florestais”, referindo, no entanto, que projetos de regadio mais rigorosos “exigem o armazenamento de água da chuva colhida em estruturas mais projetadas, ou seja, não sustentáveis”.

Esta investigação desenvolveu também um modelo para atenuar o risco de inundação em 23 zonas, tendo em conta as Bacias de Retenção Sustentável em Portugal Continental. Os investigadores verificaram que destas 23 zonas, em 20 “seria possível controlar o volume de água com infraestruturas até 10m, mas em Coimbra, Santiago do Cacém e Ponte da Barca seria necessária uma infraestrutura superior (grande barragem) para fazer face a este risco”.

A investigação em causa foi publicada em revistas científicas de topo da área, com dois artigos no Journal of Hydrology e no Science of the Total Environment. Os docentes e investigadores responsáveis pela investigação inserida no Projeto INTERACT são Luís Filipe Fernandes, Fernando Pacheco e Rui Cortes.

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