PSA Mangualde acusada de “aniquilar os bons trabalhadores e os jovens” com más práticas laborais

PSA

PSA Mangualde estará a recrutar trabalhadores vindos de outras empresas do grupo, mas não renova contratos com os jovens que neste momento lá trabalham, além de pressionar “com ameaças os trabalhadores efetivos”, entre outros abusos laborais, denunciam trabalhadores da empresa.

Alguns jovens, assim como outros trabalhadores da PSA Mangualde, denunciaram ao Interior do Avesso, que a empresa é a única do grupo Stellantis que não respeita nem salvaguarda os trabalhadores com categorias profissionais, ao assumir atitudes abusivas e discriminatórias, decorrentes de uma legislação laboral do tempo da Troika.

A PSA Mangualde é assim acusada de destruir o “ambiente social da empresa” e de “aniquilar os bons trabalhadores e os jovens deste distrito [Viseu]”.

Os testemunhos recebidos pelo Interior do Avesso lamentam que vão ficar sem emprego, não vendo os seus contratos renovados, apesar de o estado Português injetar “milhões nesta empresa multinacional” e de continuar a ser necessária mão-de-obra, uma vez que estão a ser recrutados trabalhadores polacos de outras empresas do grupo Stellantis.

Contam que a empresa “anda a perseguir e pressionar com ameaças os trabalhadores efetivos para irem para o turno da noite e se deslocalizarem de setor, não olhando a meios nem respeitando as leis nacionais de trabalho, nem respeitando quem já tanto deu a esta empresa”. Decisões da multinacional que “criam mal-estar e revolta dos operários”.

Estes trabalhadores, revoltados com a situação, dizem sentir-se “sós, desprotegidos e abandonados”, apelando aos governantes locais e nacionais que “olhem pelo futuro deles e deste distrito do interior” e alterem a legislação laboral para evitar estes abusos.

Apelam também a uma intervenção urgente da ACT “que seja realmente verdadeira e justa, sem medo de agir contra uma multinacional pelas ilegalidades que estão a decorrer na empresa PSA Mangualde (Stellantis)”.

A não renovação de contratos com os jovens decorre de “desculpas de produtividade”, porém os postos de trabalho “não acabam”, estando a ser “fundidos” com outros e sobrecarregando quem já estava sobrecarregado. “Muitos trabalhadores estão a ser  obrigados a fazer 12h e mais horas de trabalho, onde estão exaustos e fatigados, com inúmeros riscos de saúde e probabilidade de contraírem doenças profissionais”.

Alguns destes trabalhadores “com o cansaço já tiveram acidentes de viação pelo não cumprimento do descanso mínimo obrigatório por lei e aconselhável pela DGS”.

A empresa de Mangualde tem atravessado períodos de lay-off, devido à falta de componentes. Sobre esta situação, os trabalhadores, com perdas de remuneração, passam momentos difíceis, “não conseguem ter os filhos a estudar” e têm dificuldades “em pagar as despesas mensais dos agregados familiares”.

 

Resgate do Seguro Complemento de Reforma ainda não avançou

Para cerca de 535 trabalhadores de Mangualde, à semelhança com os colegas de outras fábricas da europa, há a possibilidade de resgatarem o PPR (Plano Poupança Reforma), localizado em Bilbau e que apenas poderiam recuperar em caso de doença, morte, ou fazendo os 65 anos de idade na empresa.

Podem no entanto perder entre 34% a 52% em penalização de impostos, devido à empresa ter tomado a decisão, alheia aos trabalhadores, de passar o seguro para Espanha, situação já exposta ao Governo e aos partidos com assento parlamentar, mas que continua sem resposta, em prejuízo dos trabalhadores da fábrica de Mangualde.

Em julho deste ano, o Bloco de Esquerda submeteu uma pergunta sobre o resgate do plano de pensões dos trabalhadores do Centro de Produção de Mangualde da PSA Peugeot/Citroen, dirigida ao Ministro do Estado e das Finanças, que continua sem resposta.

Há mais de um ano que “os trabalhadores da PSA Mangualde estão à espera de respostas do Governo e da entidade financeira” sobre “o resgate deste PPR (famoso saco azul da empresa)”, colocando em causa “se a direção da empresa Stellantis Mangualde não está conivente com esta inadmissível demora de respostas, pela boa relação e proximidade com o partido governamental e local [PS]”.

 

Covid-19: PSA Mangualde não cumpre o próprio protocolo

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