A mina de Valtreixal é um projeto para exploração de estanho e volfrâmio a céu aberto em Espanha, localizada a apenas cinco quilómetros da fronteira com o Parque de Montesinho em Bragança. Se avançar ameaçará recursos hídricos e espécies protegidas. 

O Público recolheu o testemunho de Maria Dantas, responsável pelo balneário e pelo hotel de Calabor. As explosões previstas para a exploração mineira podem interferir com o curso e qualidade do manancial de onde provêm as águas termo-medicinais do hotel termal.

A mina de Valtreixal, de um consórcio canadiano que é também dono das Minas da Panasqueira, poderá durar pelo menos até 2039, estendendo-se por 246 hectares dentro da Rede Natura 2000 e da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica. Localização que apenas é possível porque em Junho a Junta de Castela e Leão aprovou novas normas urbanísticas que o permitem.

O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) identificou mais de 120 impactos previstos pelo projeto durante todas as fases, 20 dos quais foram considerados “severos”, durante a fase de exploração. Se o projeto avançar, serão ameaçadas várias espécies de anfíbios, insetos, morcegos, além de espécies particularmente ameaçadas, como o urso pardo, a águia-real, o lobo-ibérico e a toupeira-de-água.

Várias associações ambientalistas portuguesas e espanholas emitiram pareceres negativos durante o processo de consulta pública ao EIA, que terminou no passado dia 21. A Zero, a Quercus, a Palombar — Conservação da Natureza e do Património Rural e o Fapas — Fundo para a Protecção de Animais Selvagens fizeram chegar à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) as objecções ao avanço do projecto.

Segundo o Jornal de Notícias (JN), também a população e os autarcas portugueses locais não são favoráveis ao projeto de exploração mineira em Calabor, dando como exemplo os impactos vivenciados no rio Pepim das extintas minas de estanho de Montesinho, encerradas em 1993.

Neste momento, “o Pepim deixou de ser um rio para se transformar numa estrada de areia”, pode ler-se na notícia do JN. O acumular de areia tem provocado cheias recorrentes nas casas ribeirinhas e nas propriedades agrícolas.

Também a Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda de Bragança já demonstrou preocupação com o projeto da mina em Calabor, exigindo ao governo português “uma tomada de posição oficial na defesa destas populações e destes territórios”.

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