Alguns dizem-me que vivemos numa sociedade mais justa, em liberdade e em democracia!

Passaram 45 anos e os valores de Abril continuam bem vivos!

A justiça, a liberdade e a democracia são questionados porque a nossa sociedade continua sob a canga das desigualdades que se expressam nos privilégios, na distribuição dos rendimentos, no ataque aos direitos do trabalho e ao Estado social.

A violência contra as mulheres e a violência doméstica continuam a manifestar-se como um dos maiores flagelos da nossa sociedade e uma das mais brutais manifestações da desigualdade de género e da opressão das mulheres.

Erradicar a violência contra as mulheres e a violência doméstica tem de ser uma prioridade que saia do papel e chegue à vida concreta das pessoas.

Também as pessoas com deficiência continuam a ser alvo de discriminação no exercício dos seus direitos mais básicos e a não ver reconhecido de forma inequívoca o seu direito a uma vida independente.

As pessoas com deficiência continuam a ser desrespeitadas a nível nacional deparando-se com desigualdades no acesso à educação, à formação profissional e ao emprego; dificuldade de locomoção devido às barreiras arquitetónicas; transportes públicos desadequados e inadaptados.

Continuamos a assistir à perpetuação de políticas médico-reabilitadoras e institucionalizadoras a que há que pôr fim, sendo necessário assegurar que o poder de decisão da Vida Independente fica nas mãos das pessoas com deficiência.

Os reformados e seniores constituem uma parte significativa dos pobres em Portugal. É urgente reativar os programas que se destinem a combater a pobreza, mas é igualmente importante aceitar que a qualidade de vida não pode desaparecer apenas porque as pessoas entram numa fase diferente da vida, já reformados e mais idosos. Uns e outros não podem ser encarados como um peso e, como tal, marginalizados. Reformados e idosos estão no centro das nossas comunidades. A sua defesa é simultaneamente um sintoma e um fator de coesão social.

Na habitação, no SNS, na mobilidade, nas modalidades de vida independente, o Estado social tem de se refundar para que o apoio social possa atender à pluralidade de necessidades atuais e futuras.

É neste contexto que a rede de cuidadores informais se insere como a rede de unidades de cuidados continuados. O apoio domiciliário aos idosos e acamados é uma alternativa válida e digna à institucionalização, assegurando assistência numa fase adiantada e complexa da vida. O envelhecimento não pode ser um massacre e não pode ser vivido em sofrimento.
A população portuguesa continua sob o jugo dos princípios do liberalismo económico que nunca atenderá ao desenvolvimento harmonioso do território, á qualidade de vida das populações, mas sim á maximização do lucro que se reflete em:
– Fecho de serviços públicos de proximidade.
– Rede de transportes inadequada para a população do concelho.
– Discriminação de direitos laborais pelo género.
– Manutenção de um modelo económico que privilegia o litoral do país e as grandes áreas metropolitanas.
– Aplicação da justiça de forma diferenciada em relação a alguns sectores da sociedade
Por outro lado, regista-se uma prática política que influencia negativamente o desenvolvimento do país:
Ausência de políticas que evitem a degradação dos nossos recursos naturais.
Descentralização que não é mais que um esquema de municipalização das responsabilidades e competências do Estado.
– Ausência de mecanismos de flexibilização e adaptabilidade das políticas públicas tendo em vista uma oferta de serviços públicos ajustada aos indicadores demográficos. O distrito de C. Branco insere-se na faixa do país com a população mais idosa.
– Manutenção das parcerias público privadas.
– Falta de transparência na atividade autárquica.
– A democracia representativa não incentiva a participação cidadã e cria obstáculos ao seu desenvolvimento.
A celebração do 25 de Abril é um momento de alegria para todos aqueles e aquelas que o sentem no coração como projeto de uma sociedade mais justa e igualitária, mas é também um espaço de reflexão sobre os dois D´s: Democratizar e Desenvolver que, continuadamente, têm sido atacados pelos seus inimigos.
Somos constantemente bombardeados com o autoelogio da obra realizada, mas ninguém fala da sua sustentabilidade, do seu contributo para a coesão social, da validade das ações contra a desertificação, da luta efetiva contra a destruição sistemática dos nossos recursos naturais, da urgência de políticas eficazes de adaptação ás alterações climáticas e de redução dos riscos inerentes.
Por estas e outras razões ABRIL estará sempre presente!
Por estas e outras razões defendemos os valores do 25 de Abril!

VIVA O 25 DE ABRIL!

Nasceu em 1954 em Castelo Branco. Desde 1969 que mantém uma atividade política regular, a nível escolar, de organizações juvenis e laboral. Participante ativo em diversas associações cívicas. Trabalhou 39 anos na área dos seguros.

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