Após o 25 de abril de 1974, a revolução dos cravos que libertou Portugal contra 48 anos de ditadura, sentiu-se a necessidade de filmar e fotografar a revolução em curso e os seus protagonistas. Desse período existem hoje muitas imagens que documentam uma dos mais agitadas e importantes fases da nossa história do século XX. O cinema e a fotografia foram os dispositivos que mais atuaram, se bem que a televisão também teve um papel fundamental nesse período. As imagens perduram para que os portugueses e o mundo não apaguem das suas memórias esse momento tão marcante da história mais recente.

A nível cultural houve uma explosão de criatividade. Nos anos 70 e 80, paredes de todo o país foram pintadas com palavras de ordem de liberdade.

Assim como se criaram dezenas de cartazes e postais políticos, hoje muito conhecidos, mas foram os murais que mais populares se tornaram. Havendo liberdade de expressão, o pós 25 de abril deixou-nos um legado de arte urbana, com murais coloridos, com mensagens de paz, liberdade, democracia e de crítica social e política. Eram verdadeiros frescos a céu aberto. Assim como na música, também se cria quase um novo género musical, a música de intervenção. Destacam-se José Afonso, José Mário Branco, Paulo de Carvalho, Fausto, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, Fernando Tordo, Sérgio Godinho e tantos outros, que cantaram os horrores da ditadura e os heróis que fizeram a revolução.

No entanto, é a imagem, fixa e em movimento, que aqui merece destaque e reflexão.

O Cinema 7ª Arte não pretende deixar passar de forma indiferente a data que se avizinha comemorar no nosso país, os 45 anos do 25 de abril. Assim, sobre o mote “Imagem & Revolução: 45 Anos de Abril” criamos um especial com vários artigos dedicados ao cinema português feito nos primeiros anos da revolução.

Pretende-se contribuir com uma reflexão sobre esse período através da imagem, que teve naquela altura um grande poder, de militância também. Através do Ciclo PREC, iremos falar de alguns dos mais importantes e talvez hoje menos conhecidos filmes feitos durante a revolução. No Ciclo Abril Sempre, serão apresentados alguns filmes, entre documentários e ficções, do século XXI.

Tentamos deste modo comemorar e sobretudo relembrar aquela que é a data mais importante da nossa história recente. Sobre o lema dos três D, Democratizar, Descolonizar e Desenvolver, tentou-se criar um novo Portugal. Em 45 anos de liberdade e democracia, muito ficou por cumprir. Efectivamente, abril não abriu todas as portas que reivindicava abrir, mas uma coisa é certa, o 25 de abril ensinou-nos a sonhar e a lutar por um país melhor.

(Escrito por Tiago Resende)

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