O corço (Capreolus capreolus) é o menor cervídeo europeu e ocupa uma grande variedade de habitats, embora prefira territórios com um mosaico de bosque e terrenos agrícolas e/ou zonas montanhosas. Está presente sobretudo nas regiões centro e norte de Portugal, principalmente no interior. O corço é um herbívoro generalista, alimentando-se de uma grande variedade de plantas. Silvas, carvalhos, carqueja e castanheiro integram, por exemplo, a sua dieta. O macho diferencia-se da fêmea por apresentar, durante a maior parte do ano, hastes de natureza óssea e por ter a forma do escudo anal parecida com um rim, enquanto as fêmeas não possuem hastes, apresentam um escudo anal em forma de coração invertido e têm um tufo de pelos na zona urogenital.
Nos vídeos, registados nos dias 4, 8, 13 e 20 de março e 4 de abril de 2021, no concelho de Vimioso (Bragança), podemos observar corços fêmeas e machos com hastes em diferentes fases de desenvolvimento. Quando se formam as hastes? A primeira haste do corço começa a nascer quando este tem três meses de idade, contudo, trata-se apenas de um género de apêndice craniano que, quando cai, nesse mesmo local, tem início o desenvolvimento da chamada primeira haste verdadeira, que fica completa quando o animal atinge um ano de idade. A partir de então, a cada ano, as hastes cairão normalmente durante o mês de outubro ou novembro, começando a nascer as seguintes a seguir a essa queda, e terminando o seu crescimento normalmente em março ou abril. Quando ainda não estão totalmente desenvolvidas, as hastes apresentam uma aparência aveludada devido à vasta vascularização que proporciona o seu crescimento.
O corço é uma das presas de eleição do lobo-ibérico (Canis lupus signatus), uma espécie ameaçada e legalmente protegida em Portugal, e contribui de forma significativa para a sua conservação.

Se vires um corço (ou outro mamífero selvagem), regista-o na app iMammalia (mammalnet.com/es/imammalia), a qual foi criada no âmbito do projeto MammalNet.ESP para fomentar a ciência cidadã e o registo, por parte da comunidade, de mamíferos silvestres de forma fácil mediante o envio de fotografias dos animais e/ou dos seus indícios de presença. É uma app simples e intuitiva e não é necessário ter conhecimentos específicos para a usar, já que as imagens enviadas são posteriormente validades por especialistas da área. O utilizador poderá ver os seus registos e os dos outros utilizadores inseridos num mapa.

Vídeo João Santos/Palombar

Publicado por Palombar a 7 de abril de 2021

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