“Requiem pelas árvores desaparecidas”

Foi com grande desgosto que, ao percorrer a longa avenida de ligação entre a Corte e o Campo de Besteiros, que descobri as bases dos troncos decepados das árvores outrora frondosas que a ladeavam!

Foi com grande desgosto que, ao percorrer a longa avenida de ligação entre a Corte e o Campo de Besteiros, que descobri as bases dos troncos decepados das árvores outrora frondosas que a ladeavam!

Que tristeza de morte! Que vazio de angústia! O que diria o Senhor Dr. Almiro, de luminosa memória, que ordenou a sua plantação para aliviar a soalheira que ali se suporta em verões caniculares, se cá voltasse?

Já não me lembro se eram plátanos, se tílias, se carvalhos, sei que não eram eucaliptos, essa praga nacional importada da Austrália! Sei que eram pulmões de oxigénio e vida naquele pedaço de caminho árido! Sei que eram árvores autóctones, nossas amigas! E constatei que a condenação à morte dos amigos é uma grande traição!

Quem não ama as árvores não é digno das dádivas da natureza e de Deus, autor da Criação para os crentes!

O poeta Mário Cesariny gostava de abraçar as árvores! Não é por acaso que o dia mundial da poesia, celebrado a 21 de Março, constitui também o dia mundial da árvore!

Abraçar árvores faz bem à saúde e foi oficialmente validado pela ciência.

É lamentável que o poder esteja nas mãos de gente tão ignorante como insensível!

Ana Margarida León Site
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Ana Margarida Borges da Silva León nasceu em Lisboa, mas com ascendência beirã. Estudou
Direito em Coimbra e exerce funções como conservadora do registo civil. Desde cedo, esteve
ligada a associações ambientalistas e de defesa dos direitos dos animais. Melómana, estudou
piano e, neste momento, pertence ao Coro Magnus D’Om em Santa Comba Dão. Publicou uma
obra de literatura infantil e participou em duas antologias de contos de Natal. Neste
momento, está a realizar uma licenciatura em História, na Faculdade de Letras da Universidade
de Coimbra.

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