Todos já ouvimos falar da importância que as abelhas têm na nossa sobrevivência, mas será que lhe damos o devido valor. Apesar de ser um inseto pequeno tem um peso brutal no equilíbrio do ecossistema. Sem abelhas não haveria polinização, ou seja reprodução de plantas e com este desequilíbrio todos os seres vivos estariam em perigo. Sobre a sua importância Einstein disse “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.”, eu não sei se seriam quatro ou mais anos, mas não tenho a mínima dúvida sobre os efeitos nefastos da extinção das abelhas e facilmente dariamos razão a Einstein.

Dentro da colmeia as abelhas vivem numa sociedade organizada, cada uma desempenha uma função específica, sempre em prol da sobrevivência do coletivo, umas fazem mel, outras tratam da cria, outras protegem a colmeia, outras fazem a coleta no exterior, etc… assim as colmeias fortes sobrevivem e multiplicam-se, se o ecossistema funcionasse como outrora e ajudasse tudo correria bem,  o equilíbrio seria mantido e todos teríamos a sobrevivência garantida.

Em trás os  montes as condições para manter estes insetos sempre foram as melhores, pouca poluição, boa flora, boas temperaturas, estações bem definidas, um verdadeiro paraíso apícola. Como transmontano e amante do campo que sou, interessei-me  por este assunto e decidi fazer um curso de apicultura, no início a ideia era ter algumas colônias de abelhas para poder ter mel para consumo próprio, mas depressa me apaixonei por estes insetos e expandi para algo um pouco mais sério. Tornei-me assim apicultor, cuidador de abelhas, tratando-as das doenças que as atacam, alimentando-as quando a flor escasseia ou quando estão impedidas de sair da colmeia por falta de condições climatéricas, garantindo dentro do possível a sua sobrevivência, em troca elas dão-me algum mel e pólen. Estava longe de pensar que nesta atividade nem tudo eram rosas, muitos problemas e dissabores estavam para vir… 

Nos últimos anos com as alterações climáticas pudemos assistir a um degradar permanente da qualidade de vida destes insetos, as estações instáveis, as florações precoces ou tardias, tempestades, seca, etc… os pesticidas com o seu uso descontrolado sem qualquer respeito pela atividade apícola, o aparecimento de novas pragas como a vespa velutina ou asiática como lhe queiram chamar, importada da China veio tornar ainda mais difícil a vida dos apicultores. As colmeias começaram a morrer apresentando hoje taxas de mortalidade elevadas, o preço dos produtos oriundos da colmeia tem hoje um preço que não permite em muitos casos fazer face as despesas da actividade. A legislação atual também não ajuda a mudar o cenário, em trás os montes por exemplo, os nossos irmãos espanhóis ano após ano descarregam de forma desordenada  milhares de colmeias em busca do nosso pólen, quase sempre infringindo a nossa legislação, sem que as autoridades possam fazer uma proteção efetiva dos apicultores portugueses que cumprem a lei que a actividade exige. A velutina uma praga recente, avança no país e as colmeias são completamente dizimadas, deixando vários apicultores sem colmeias, mais uma vez sem que o estado combata de forma eficiente o problema. No verão vemos os incêndios queimarem várias colônias e o pasto apícola, as colônias que não morreram nos incêndios morrem de fome porque nos quilômetros que as as rodeiam não há floração. Muitos apicultores perante tantos problemas desistem da apicultura, deixando órfãs as abelhas que já não tem a capacidade de serem auto suficientes como noutros tempos.

A apicultura, quer seja vista como profissão ou como hobby é sem sombra de dúvida uma actividade nobre, é a arte de cuidar de quem cuida de nós, sem abelhas morreremos. Mas, quem cuida dos apicultores? Quem protege esta atividade? Onde andam os apoios da apicultura? Onde está a legislação que protege o apicultor?

Certamente voltaremos a falar do tema….

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Nasceu em Mirandela em 1976 e viveu em Trás-os-Montes até aos 18 anos, altura em que foi para o Porto estudar piano. Licenciado em produção e tecnologia da música na ESMAE.
Em 2003 entrou na RTP Porto como técnico de som. Esteve com vínculo precário até 2008. A luta por um vínculo laboral justo fez-lhe ganhar interesse pela defesa dos direitos laborais...atualmente está no SINTTAV ( Sindicato nacional dos trabalhadores de telecomunicações e audiovisuais), na qualidade de delegado sindical, e na coordenador da Comissão de Trabalhadores da RTP, entre outras organizações de activismo laboral.
Nunca perdeu a ligação a Trás-os-montes, onde desenvolve como hobby a apicultura e agricultura.

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