A pandemia que o mundo vive pôs a nu a fragilidade da economia e o que sempre julgamos ser inabalável tremeu e treme mais que gelatina. Alguns países retardaram as medidas para travar a pandemia com receio de um crash económico, e, claramente arriscam vidas humanas. Outros pressionados pelo poder empresarial e por ideologia não quiseram ver os milhares de mortos que estavam a causar.

Em Portugal o vírus foi sendo controlado e começou o desconfinamento para uns e a aflição para outros. Os setores económicos, de uma forma geral, viram reduzidos o seu número de clientes fruto de medidas restritivas no país e no estrangeiro. As fronteiras com restrições, alguns países com listas negras, a aviação ainda a meio gás e tudo isto leva a que as empresas ligadas ao turismo estejam a sofrer uma das suas maiores crises. Com o confinamento assistimos ao encerramento total das unidades hoteleiras, do alojamento local, de empresas de entretenimento e, apesar do desconfinamento trazer a sua abertura, não vêm clientes em número suficiente para fazer face às suas despesas.

A população que começa a desconfinar tem dificuldade em viajar para o estrangeiro fruto das restrições impostas em alguns países. Os seus rendimentos baixaram graças ao lay-off ou outras medidas que visam proteger a saúde e os empregos mas reduzem a liquidez familiar. Todos fomos afetados de alguma forma.

De certeza que já pensamos porquê que países com números epidémicos piores que os nossos nos colocaram em listas negras, evitando assim que os seus residentes queiram vir passar férias a Portugal ou sair do país. Eu acredito que a explicação é simples e ao mesmo tempo de carácter económico. Sendo Portugal um destino turístico por excelência, tentam assim evitar a saída dos seus, assim passaram as suas férias no país de origem injetando dinheiro na sua economia. Pois bem, façamos todos o mesmo. Vamos passar férias em Portugal, aproveitando para conhecer o interior, onde a natureza, a cultura, a gastronomia e as suas gentes são simples mas hospitaleiras.

O nosso país é um país que, num território pequeno mostra uma diversidade climática, paisagística, gastronómica e cultural. Provavelmente muitos de nós nunca olhou para dentro do nosso país com estes olhos, mas penso que este é o momento.

De Trás-os-Montes ao Alentejo muito há a descobrir: entre os alojamentos locais resultantes de recuperação de património, certamente com muitas histórias para contar. Sem dúvida que este ano é uma oportunidade para perceber um pouco mais sobre o setor agrícola visitando o Douro, o Dão, a Bairrada e as herdades alentejanas. Na nossa fauna temos tesouros como os garranos do Gerês, o burro mirandês, os rebanhos de gado guardados por pastores e cães de raças autóctones. Das concertinas do Minho, das gaitas de fole de Miranda, aos grupos de cantares alentejanos e ranchos folclóricos, passando pelas nossas tradições, muitas já preservadas e perpetuadas em museus espalhados por todo o país como o Museu do Ouro em Póvoa de Lanhoso, o Museu do Ferro em Torre de Moncorvo, entre outros. 

Se ainda não está convencido jogarei agora o ás de trunfo, a boa mesa portuguesa, desde as alheiras de Mirandela, a posta mirandesa, o maranho, os rojões e sarrabulho, a açorda e muito mais. Agora que já está com água na boca, ponha os pés ao caminho e vá de férias para o interior.

Talvez no fim das férias ficará rendido aos encantos do interior e certamente irá desejar mudar de vida, que é como quem diz, mudar para o interior…

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Nasceu em Mirandela em 1976 e viveu em Trás-os-Montes até aos 18 anos, altura em que foi para o Porto estudar piano. Licenciado em produção e tecnologia da música na ESMAE.
Em 2003 entrou na RTP Porto como técnico de som. Esteve com vínculo precário até 2008. A luta por um vínculo laboral justo fez-lhe ganhar interesse pela defesa dos direitos laborais...atualmente está no SINTTAV ( Sindicato nacional dos trabalhadores de telecomunicações e audiovisuais), na qualidade de delegado sindical, e na coordenador da Comissão de Trabalhadores da RTP, entre outras organizações de activismo laboral.
Nunca perdeu a ligação a Trás-os-montes, onde desenvolve como hobby a apicultura e agricultura.

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