Há uma Estação de Tratamento de Águas (ETA ) não licenciada em Vale de Fachas que abastece parte da população de Rio de Loba, uma das maiores freguesias do Concelho de Viseu. A outra parte da freguesia é abastecida pela deficitária barragem de Fagilde que há dois anos deixou de ter capacidade para abastecer a cidade, tendo-se na altura recorrido a camiões cisterna para o efeito.

Acresce que esta ETA é centenária, que a propagandeada Rota Pedestre de Vale de Fachas será afectada, a Anta de Mamaltar (Classificada) também sofrerá impacto, bem como o Reservatório de Água dos Serviços Municipalizados que se encontra na zona. Existem ainda minas de captação de água que pela antiguidade e processos construtivos – utilização de alvenaria de granito – mereciam ser inventariadas e classificadas.

Passando literalmente por cima da existência destes equipamentos e das linhas de água, ignorando os problemas que já afectaram e podem vir a afectar de novo (em caso de seca semelhante à que se registou há dois anos) o abastecimento a toda a cidade de Viseu, o plano Director Municipal prevê uma estrada que – no mínimo – contaminará com hidrocarbonetos e metais pesados a linha de água que abastece essa ETA ‘’ilegal’’ (que, no entanto, abastece um número significativo de moradores na zona ) com todo o impacto que isso possa vir a ter na saúde pública e no ambiente.

Será que a "não" existência oficial da ETA, é conveniente?

Poderá dar-se o caso de – por não existir oficialmente, mesmo respondendo a necessidades básicas de tanta gente – essa infra-estrutura adquirir um estatuto fantasmático para que o Plano Director Municipal possa impor-se contra toda a lógica e até contra necessidades básicas das populações?

Um primeiro Estudo de Impacto Ambiental condicionava a construção dessa estrada. Um segundo estudo da mesma natureza, já era favorável à mesma obra.

Nos dois casos, os estudos ignoravam as captações de água, a ETA e tudo o que acima se mencionou. Um terceiro estudo avaliará a possibilidade de afastar a estrada de molde a que a sua construção seja possível sem novo PDM. Nenhuma das questões acima mencionadas está porém salvaguardada.

O ICNF pediu pareceres às várias freguesias afectadas e Rio de Loba, a principal afectada, não terá respondido.

Os habitante da área não se opõem à construção de uma estrada, consideram mesmo necessária tal infra-estrutura mas estranham que se opte pela opção mais cara e com mais impacto ambiental, já que a opção por eles proposta é não só mais barata como até mais lógica. Haverá estudos das Infraestruturas de Portugal que confirmam esta posição.

Assim sendo, os moradores questionam-se sobre as razões do finca-pé camarário que parece revelar um excessivo apego a um Plano Director Municipal mal informado – e por isso também mal formulado – para levar por diante a absurda intenção de construir sobre água potável uma estrada que bem poderia seguir outro traçado mais lógico, mais barato e com menor impacto ambiental.

Quando entenderão os poderes locais que decisões como esta só podem ser tomadas depois de consultadas as populações afectadas e visitados os locais e nunca no interior dos gabinetes? Custar-lhes-á assim tanto calçarem umas galochas para fazerem algumas verificações básicas no terreno?

Ver também
Ligação EN229/IP5 põe em risco água potável em Viseu
Defesa da Água Potável de Viseu nas Assembleias da República, Municipal e de Freguesia

Outros artigos deste autor >

Nascido em Angola em 10-09-1963. Cursou Arquitectura na ESBAP e na FAUTL. Professor do 3ºCiclo. Activista, Poeta, Ficcionista, Autor Satírico (sob o nome Jo King), Cartoonista (sob o nome Jo) vive actualmente em Viseu.

Deixe o seu comentário

Skip to content