Foto de Ithmus | Flickr

É na luta diária pelos ideais da Revolução que se aprofunda a democracia! 

Duas gerações com os mesmos ideais; ou de como o percurso das minha filhas Mariana e Rita, e a reflexão e ativismo de tant@s  outr@s jovens, tem sido um imprescindível contributo para que “façamos um 25 de Abril todos os dias”, para que não transformemos a celebração e recordação das lutas pela democracia num mero ritual.

Ser coerente com o aprofundamento da democracia é, também, estar atenta aos novos desafios com que se defronta Portugal e o Mundo, na defesa dos direitos d@s de baixo, contra todo o tipo de discriminações e as alterações climáticas provocadas pelo sistema capitalista que põem o Planeta, a nossa Casa Comum, em causa. A luta contra todo o tipo de opressão faz parte da defesa da Revolução de Abril e nós, que contribuímos para a transformação da sociedade portuguesa, não temos o direito de estar distraíd@s face às novas ameaças à democracia.

A polémica em torno da comemoração do 25 de Abril na Assembleia da República pôs  a nu a tentativa de muit@s usarem a pandemia para suspender a democracia. O Covid -19 não interrompe a democracia, era o que faltava! Os saudosistas dos tempos da “outra senhora”, que tanto se empenham no combate à celebração no Parlamento da Revolução dos Cravos, mesmo cumprindo as recomendações sanitárias, que se desenganem. Não baixaremos os braços, no Parlamento e no espaço público. À janela/varanda cantaremos a “Grândola” às 15 horas do dia 25 de Abril e utilizaremos as redes sociais para celebrar a Revolução. Fascismo nunca mais! 

Entretanto, a defesa de Abril não se esgota em rituais anuais. É preciso manter vivos os ideais consagrados no texto constitucional. Em tempo de crise sanitária e social, impõe-se reivindicar o reforço dos apoios a quem não está a trabalhar ou a quem perdeu rendimentos com esta paralisação. É preciso proibir os despedimentos e reforçar o Serviço Nacional de Saúde.

É também imperioso que se proteja a economia, impedindo a distribuição de dividendos entre os acionistas das grandes empresas, apoiando as micro e pequenas empresas. E combatendo a especulação financeira.

No plano europeu, é fundamental combater as perspetivas austeritárias, exigindo ao Governo Português que rejeite de forma clara soluções idênticas ao modelo adotado no seguimento da crise de 2007/2008. 

É na luta diária pelos ideais da Revolução que se aprofunda a democracia! É preciso fazer um 25 de Abril todos os dias!

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Maria da Graça Marques Pinto nasceu em 1950.
Foi eleita para a Assembleia Municipal de Viseu em 2005 e integrou listas do BE para a Câmara Municipal e para o Parlamento.
Foi membro da Coordenadora Distrital de Viseu, da Comissão Política e da Mesa Nacional do BE.
Atualmente faz parte da Comissão concelhia de Viseu do Bloco de Esquerda.

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