“Para cá do Marão, mandam os que cá estou” ou “Vila Real ó que linda és”… poderiam ser sem dúvida o início de palavras de ordem por cá em Trás-os-Montes! Neste caso em particular no Reino Maravilhoso de Miguel Torga – Vila Real.
Em 2017 um grupo de pessoas inconformadas com um sistema patriarcal maioritariamente capitalista, “viciado” em estereótipos e preconceitos, transversal à escala nacional, achou com necessidade emergente que se descentraliza-se as formas de luta, em particular as marchas e eis que conseguiram finalmente organizar a 1º Marcha pelos Direitos das Mulheres e Igualdade de Género e a 1º Marcha pelos Direitos LGBT em Vila Real!! É verdade…passou-se de uma utopia para uma realidade.

Em Vila Real também se luta!!! Em Vila Real também se sofre devido à misoginia e homofobia!

Em Vila Real ouvia-se e ainda se ouvem gritos “ensurdecedores” pelo isolamento das emoções!
Era necessário “respirar”, digamos até “visceral” agitar o povo Transmontano de que é possível “gritar” juntas e juntos.
Vila Real tem o dever de lutar pelo direito mais básico (deveria) que é a nossa liberdade de expressão, a liberdade de viver em plena consciência de que a diferença não é atípica é só diferente. É necessário mostrar que as marchas são mais uma ferramenta educacional – passar de mera retórica para atos | Ativismo!
Um dos objetivos com esta forma de luta é de pensarmos juntas e juntos, uma sociedade mais justa e igualitária. Rejeitarmos a normalização das várias formas de violência de género, da precarização das nossas vidas e a invisibilidade e opressão da diversidade de vivências culturais, sociais, sexuais e identitárias.

É urgente que em Vila Real se faça um trabalho contínuo de forma desenvolvimental, trabalhando essencialmente a desconstrução de crenças demasiado enraizadas e a longo prazo potenciar mudanças estruturais na sociedade, quer a nível pessoal, quer a nível legislativo, quer a nível das políticas públicas, quer a nível da consciência social.

As opressões de género, a misoginia, a homofobia não são isoladas umas das outras, não são casos pontuais, estão todas interligadas de norte a sul, em Vila Real não é diferente é uma questão de “geografia”.
É preciso refletirmos, que as mentalidades demoram séculos a serem mutáveis, quem diz mentalidades, diz uma sociedade.
Em Vila Real, o percurso e o processo em envolver a comunidade em ações de rua não foi e nem é fácil, é um processo. Digamos até, que começa por ser um processo interno, individual com reflexo à posteriori.
Vila Real é uma cidade que está amorfa, com relutância à mudança, com relutância à exposição, com medo de julgamentos alheios.
Mais difícil foi e é envolver a comunidade Vilarealense em ações de rua relacionadas com as questões LGBT, aqui é o cerne da questão, o medo de julgamentos alheios, teríamos aqui a representação de um círculo – questões internas, questões sociais e novamente questões internas.

Não podemos dissociar que o ativismo no Interior é mais complexo, devido a toda uma herança moralista ainda mais compactada.

Reforçamos a ideia, de que o ativismo no Interior focando Vila Real, passa por um trabalho em rede, mas passa essencialmente pela aceitação do que somos como seres individuais e únicos e sim… a partir dessa premissa continuarmos a lutar!!! A lutar por mim, por ti, por nós todas e por nós todos!!!
Vila Real, continua em “marcha”!!

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CATARSE é transformação, CATARSE é liberdade de expressão. CATARSE é a nossa vontade de progredir/actuar socialmente, em busca da igualdade. CATARSE é manifestação, é luta.
CATARSE é contra qualquer atentado à liberdade/dignidade Humana.

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