Economia a pedais 2021 vai ser um ano de recuperação da Economia, um esforço que todos os sectores terão de despender. E ao contrário do paradigma nacional “trabalhar mais” em vez de “trabalhar melhor”, esse esforço obrigar-nos-á a sermos eficientes na utilização dos nossos parcos recursos. Isso inclui um maior e melhor escrutínio aos gastos públicos: de que forma as receitas dos nossos impostos são aplicadas, e qual o seu retorno, tanto financeiro como económico, isto é, não apenas a riqueza gerada, mas também o bem-estar criado. E este rigor na execução pelos agentes do Estado, mas também e cada vez mais a atenção e exigência de nós próprios no dia a dia, não se limita aos temas mais fracturantes, como a reestruturação da TAP ou a dissolução do SEF. Este movimento de recuperação começa com a forma como as nossas autarquias agem nas nossas vilas, aldeias e cidades.

Ao percorrer Vila Real, apercebo-me da transformação do canal ferroviário da Linha do Corgo, que percorre toda a zona Este da cidade, desde a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro ao centro comercial, Parque Corgo, Teatro, Centro de Saúde de Mateus, até Abambres-Gare, em mais uma ecopista. Um canal privilegiado de comunicação, que liga boa parte das infraestruturas âncora da cidade, convertido numa pista para caminhadas, porque desde há 20 anos nenhum político ou decisor público parou dois minutos para pensar que nem todas as viasférreas encerradas estão condenadas a ficarem assim eternamente, ou a não terem outra solução que não serem convertidas em ecopistas. Pelo menos não sem um estudo de reabertura ser elaborado, e dizer de forma estruturada, e não por opinião ou moda, se a reposição do serviço ferroviário às populações e empresas é viável económica e financeiramente ou não.

Os carris, ainda visíveis em alguns troços, vão desaparecendo. Não se vislumbram placas a explicar para o que é a obra. Nos planos consta a recuperação da estação de Abambres para apoio aos utilizadores, mas essa é uma promessa que já vi em inúmeros planos de outras tantas ecopistas cair em saco roto, deixando estações e casas de guarda em estado devoluto. Sublinho a persistência – rara – de sinalização no trajecto: o sinal avançado de Abambres na Rua da Pimenta, bem como o limite de manobras e os sinais principais de entrada e de saída a jusante da estação de Abambres, a qual ainda preserva linhas e agulhas. E este património industrial e histórico, vai ser preservado? Matar a memória ferroviária e as aspirações do território a mobilidade sustentável e dinamizadora da Economia por facilitismo não pode merecer a aprovação parcimoniosa e desinteressada da população. Isto é subverter as prioridades para o futuro em troca de obras de ocasião no presente.

2021 vai ser o Ano Europeu do Transporte Ferroviário, com Portugal a assumir a Presidência do Conselho da União Europeia durante o 1º semestre do ano. Em Vila Real há quem diga “Não!” à Ferrovia. Eu digo “Sim!” ao meu futuro. E esse, goste-se ou não, passa por mobilidade sustentável e Economia dinâmica, conceitos que em países mais esclarecidos andam de mãos dadas com a Ferrovia – sem comprometer o desporto e o bem-estar dos cidadãos, já que espaços para ecopistas e caminhadas não faltam.

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Trasmontano, natural de Vinhais (nascido no Rio de Janeiro) em 1984. Frequentou dos 10 aos 14 anos o Colégio Salesiano de Poiares da Régua, onde viajou frequentemente na Linha do Tua, nascendo aí o seu interesse pela sua salvaguarda. Licenciado em Gestão pelo ISCTE (2002-2007), e com pós-graduação em Turismo pela ESHTE (2008-2010).
Fundou o Movimento Cívico pela Linha do Tua em 2006, estando sempre na linha da frente da luta contra a barragem do Tua, escrevendo vários comunicados e artigos de opinião, entre participações em debates. Em Dezembro de 2010 fundou o Movimento Cívico pela Linha do Corgo, com menos actividade que no MCLT. Deixou ambos os movimentos em meados de 2015, mas nunca se afastando da divulgação e defesa destas vias-férreas, a par da da Linha do Sabor, sobre a qual criou um estudo de reabertura, publicado no livro "A Linha do Vale do Sabor - Um Caminho-de-Ferro Raiano do Pocinho a Zamora".
Foi Assessor de Gestão no Metro de Mirandela entre 2009 e 2012, promovendo algumas mudanças, mas sendo sempre boicotado em vários esforços pela Administração.
Em 2010 ficou em 3º lugar no concurso nacional de empreendedorismo "Realiza o teu Sonho", da Acredita Portugal, com um projecto de Turismo Ferroviário na Linha do Tua. A CP nunca quis reunir para conhecer o projecto.
Tem publicado no seu canal no YouTube alguns estudos de reabertura de troços ferroviários, nomeadamente da Linha do Corgo entre a Régua e Vila Real.

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