Dia 27 de Janeiro de 1945, um dia que ficou marcado para a história da  humanidade. Nesta data celebramos a libertação do campo de concentração e  extermínio Nazi de Auschwitz-Birkenaw pelo exército soviético, onde cerca de um  milhão de pessoas terão morrido. Entre esse milhão de pessoas cerca de 800 mil foram  executadas em câmaras de gás mal chegavam ao destino mais negro que o rumo das  suas vidas podia esperar. Entre Judeus, Ciganos e Homossexuais eram muitos os grupos  minoritários que a ocupação alemã queria fazer expurgar. Não coincidentes com o “ideal  ariano”, de raça inferior ou deficiente, criminosos ou loucos, eram várias as manobras  que arrastavam milhares de pessoas para os trabalhos mais cruéis, mais lúgubres, mais  violentos e humilhantes que, ainda descritos como ponte de libertação, “Arbeit macht  frei” ou “o trabalho liberta”, viriam mais tarde ou mais cedo, separados da sua família, ver sucumbir as suas vidas. 

Lembramos de um regime de genocídio, de opressão e perseguição que se fez  silenciar durante os seis longos anos de guerra. Que ainda nos dias de hoje se faz ocultar  de forma a que os mesmos opressores se alimentem dos mesmos oprimidos sem que  grande impunidade se faça cumprir. Não se acreditam? Recordemos então o ano de  2017 e a denúncia dos campos de concentração para homossexuais na Chechénia, onde  centenas de homossexuais foram espancados, torturados e até mortos pela sua  orientação sexual. Ou então, olhemos para a Polónia e as suas “Zonas Livres LGBTI+”,  em que os direitos de milhares de homossexuais estão sob ataque de forma idêntica à  guetização sofrida pelos Judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Ainda, não  poderíamos esquecer as terapias de reconversão sexual ainda presentes dentro de  alguns dos Estados-Membros da União Europeia, que olham a homossexualidade como  uma doença ou “degeneração”, passível de ser “curada”, violando liberdades básicas de  vida e sujeitando tantas vezes as suas vítimas a altas taxas de suicídio. 

É verdade…. Também o regime nazi que por tão bem defender a moralidade  alemã considerou a homossexualidade crime. O célebre Parágrafo 175, que apenas seria  removido do Código Penal alemão em 1994, e as políticas de “cura” homossexual que arrastaram entre 5 a 15 mil homossexuais aos campos de concentração, sujeitos a  castração, a trabalhos cruéis e a favores sexuais para sua sobrevivência. Mesmo depois  do final da guerra muitos destes homens, devidamente identificados nas listas cor-de rosa da Gestapo, continuaram a sofrer penas severas por base na sua orientação sexual.  Muitos mais foram os que se mantiveram em silêncio com receio das consequências que a sua identidade sexual lhes poderia trazer. 

Lembrar este dia é não só homenagear todos aqueles que foram perseguidos,  torturados, assassinados, privados dos seus direitos, das suas vidas, por via da sua  identidade étnica, cultural, sexual ou religiosa, mas também aprender com o que a  história nos tem para contar e, não permitir que tais atrocidades se repitam.  Tristemente, em pleno séc. XXI, continuamos a assistir à propagação de discursos de  ódio como os praticados pela ideologia do terceiro Reich. Tal como há 75 anos, o medo,  o racismo, a xenofobia, as diferentes formas de violência continuam a matar. Continuam  a mostrar-se presentes não arredando pé enquanto não tomarem os valores  democráticos que nos protegem a todos sem exceção. Através da força do populismo,  da desinformação, da descrença num futuro melhor, no ódio resultante das privações e  dificuldades, a extrema-direita vai-se apoiando e espalhando um pouco por toda a  Europa. Também Portugal mostra não ser exceção. Através de medidas de castração  química, da prisão perpétua, do fim do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da  perseguição a pessoas de etnia cigana, são muitas as medidas que o presidente do  partido da extrema direita portuguesa nos apresenta. Onde é que já assistimos a isto  antes? Aprendamos pois então com a história e não deixemos que os mesmos atentados  se repitam. Aprendamos com o amor e a aceitação ao invés do ódio e discriminação. A  diversidade ao invés da homogeneidade. O triângulo rosa, como sinal de orgulho e de  liberdade.

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Daniel Santos Morais, 26 anos, Mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Licenciado em Estudos Europeus pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Partilha a sua vida entre Coimbra e Viseu.

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