Para fazer o que nunca foi feito no interior

O distrito da Guarda não tem nenhum deputado eleito pelo Bloco de Esquerda e sabendo das dificuldades de tal não baixamos os braços. Apresentamos um programa com propostas que acreditamos serem centrais para os próximos anos, colocando as pessoas no centro.
Legislativas 2024: Apresentação da lista do Bloco de Esquerda no distrito da Guarda
Beatriz Realinho (à esquerda) e Bárbara Xavier (à direita), na sede do Bloco de Esquerda da Guarda

O Bloco de Esquerda procura dar respostas aos problemas agravados no país com a crise social, através de soluções que passam pelo interior, pois viver e crescer nestes territórios não pode ser uma sentença. A estabilidade, a clareza, o compromisso para com as pessoas passam por políticas concretas em áreas prioritárias, e que estão no centro do trabalho do Bloco de Esquerda tanto a nível nacional como local.

Na saúde são necessárias medidas que reforcem o SNS, pois é delas que depende o seu acesso universal capaz de dar respostas de qualidade e a tempo à população. É preciso mais investimento para reforçar as equipas, assim como nos seus equipamentos, melhores condições para quem no SNS trabalha e quer trabalhar, fixando e atraindo profissionais. As ULS (Unidades Locais de Saúde) não podem funcionar a serviços mínimos que sobrecarregam os profissionais e atrofiam o direito das populações ao acesso à saúde enquanto são reencaminhadas de cidade em cidade. É necessário construir-se uma resposta de cuidados dignos na velhice e para a infância promovendo a fixação de pessoas no território.

A educação e a cidadania são pilares essenciais na democracia, e a sua defesa tem que passar pela valorização da profissão docente, na recuperação de todo o tempo de serviço, por melhores condições de trabalho e no combate à precariedade. O Governo empurrou para as autarquias questões que têm a ver com a educação através de processos de municipalização, que se têm mostrado unicamente favoráveis às assimetrias territoriais que temos que combater. A descentralização passa pela Escola Pública e tal passa pelo reforço da gestão democrática de cada escola, pois apenas elas podem assumir medidas adequadas à sua comunidade educativa.

Na habitação é necessária a criação de estímulos ao de arrendamento a preços acessíveis de alojamentos existentes, assim como oferta de mais habitação pública de modo a permitir a autonomia da população que reside nas regiões do interior. Baixar as rendas e os juros das casas, combater a especulação, mais oferta acessível, concretizar a função social da habitação, o Bloco de Esquerda é a força política que não dá descanso a quem lucra com aquelas que vêm a vida adiada.

A luta pelo clima é a luta das nossas vidas, e, como tal, é exigido acabar com as facilidades de quem passa por cima das barreiras ambientais pela via dos grandes negócios como a extração mineira, a agricultura superintensiva, a poluição das águas, que penalizam quem vive nestas regiões. Estas facilidades levam ao abandono de atividades primárias, de lazer e ao despovoamento do território.

E a ação climática passa por meios de transporte, mobilidade acessível que une comunidades, com aposta no passe gratuito, com horários que correspondam às necessidades reais da população. As desigualdades do país são provocadas por uma economia do privilégio e esta pode ser combatida através de um processo participado e democrático de Regionalização, reforçando aqueles que são os serviços públicos de proximidade às populações tantas vezes esquecidas.

No território abrangido pelo distrito da Guarda temos a Serra da Estrela, local que é particularmente afetado pela crise climática. A seca, as ondas de calor, são cenários que nos são próximos e que exigem a capacidade de o sistema se adaptar. Para tal são necessárias medidas como o aumento da verba anual nas equipas de sapadores florestais, carreira profissional para bombeiros, revisão e harmonização dos instrumentos de planeamento agroflorestal, entre muitas outras.

O distrito da Guarda não tem nenhum deputado eleito pelo Bloco de Esquerda e sabendo das dificuldades de tal não baixamos os braços. Apresentamos um programa com propostas que acreditamos serem centrais para os próximos anos, colocando as pessoas no centro.

Esta é uma candidatura composta de pessoas que se comprometem a fazer todas estas lutas, onde o Interior está presente na discussão da vida boa para quem vive e trabalha no interior, para aquelas e aqueles que sonham voltar.

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Beatriz Realinho, de 21 anos, natural da Guarda. Licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa. Está no mestrado em Estudo sobre as Mulheres: As Mulheres na Sociedade e na Cultura, na mesma instituição.

Faz parte de diversos movimentos e coletivos sociais, ambientais, LGBTQIAP+ e Feministas, sendo coautora do podcast “2 Feministas 1 Patriarcado”.

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