No Fundão, há quem viva paredes meias com uma Central de Biomassa. 

Paredes meias neste caso quer dizer a  500 metros da mesma. 

Para a população isto quer dizer viver constantemente importunada com ruídos, cinzas e poeiras, ter a qualidade de vida do avesso e temer pelas consequências para a saúde. 

Esta não é uma história nova. O Interior do Avesso esteve em fevereiro no local a falar com pessoas destas, que vivem todas as consequências de ter uma Central de Biomassa como vizinha. Desde então nada mudou, apesar das denúncias da população, de associações, de o assunto ter chegado, várias vezes e de diversas formas, à Assembleia Municipal do Fundão e à Assembleia da República.

A associação ambientalista Zero exigiu a “suspensão imediata” dos subsídios à produção de energia elétrica a partir de biomassa, que “não contribuem para a melhoria da gestão florestal ou redução do risco de incêndio”. A Quercus defendeu que até se encontrarem medidas que reduzam os impactos no que respeita ao ruído e à poeira, o funcionamento da Central de Biomassa do Fundão deve ser suspenso.

A viabilidade da Central já foi posta em causa por falta de matéria prima, o que acentuou o receio do recurso a áreas florestais de monocultura intensiva e crescimento rápido. A Zero e o Bloco de Esquerda do Fundão já denunciaram que o que a Central estaria a queimar para produção de energia, em vez de resíduos florestais, seria madeira de qualidade, “rolos inteiros”.

Numa visita, solicitada e negada por várias vezes, o Bloco de Esquerda conseguiu ir à Central em março deste ano e tentar perceber o seu funcionamento. Saiu com mais dúvidas e depois de ouvir a população percebeu que esta espera e desespera pelo fim dos ruídos, cinzas e poeiras.

O ruído já chegou ao parlamento, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda enviou três requerimentos (Câmara Municipal do Fundão, DGEG e CCDR-C) a solicitar o estudo de ruído ambiente na envolvente da Central de Biomassa do Fundão. Já foram pedidos esclarecimentos ao Governo sobre o subsídio de 226 Milhões de Euros para as Centrais de Biomassa do Fundão e de Viseu, que estarão a usar madeira de qualidade e não resíduos florestais.

Já neste mês de junho foi entregue um Projeto de Resolução sobre a utilização sustentável e ecológica da biomassa florestal residual. Propõe medidas que permitem controlar os problemas criados pelo aumento da utilização de centrais termoelétricas a biomassa. Nomeadamente a poluição sonora e atmosférica que afeta as populações próximas das centrais e os problemas ecológicos nos ecossistemas decorrentes da extração de biomassa e da produção florestal para fins energéticos.

As últimas novidades, são os resultados dos estudos de ruído. O relatório pedido pela Câmara apresenta valores que não cumprem a lei e a CCDR Centro emitiu um parecer sobre o ruído ambiente da Central de Biomassa do Fundão. Embora as conclusões do estudo da Sonometria apontem para o cumprimento do Regulamento Geral do Ruído, a CCDR-C tem outro entendimento e irá solicitar à DGEG que a Central de Biomassa do Fundão seja notificada para no prazo de 60 dias identificar e introduzir medidas de minimização.

A situação continua por resolver. Ruídos, cinzas e poeiras continuam a não abandonar as pessoas na proximidade da Central. Por isso denúncias e dar visibilidade ao assunto também não podem ser objetivos abandonados.

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