Quando aparecemos neste mundo logo vamos ao fundo.

Na escola da doutrina ensopada na latrina do sistema apolítico da ditadura

Naquele azar para os recém-vindos ao planeta plenos de sentido artístico

Foram obrigados a ter um penico debaixo da cama.

Não acertar-lhe durante a noite à luz da vela trazia 

O açoite severo só porque era um em forma dela.

Desapareceram as cores das constelações, ficou a escuridão

Nas casas onde não havia a mão da compaixão

Impuseram-se os estandartes da religião, da família e da paz 

Inscritos na fome de Fátima e de crianças da genuína pastorícia.

Seria melhor amante em vez de governante!

Entusiasmado na cadeira do poder absoluto

Resoluto numa trilogia sem teologia nem ideologia cósmica e universal

Sentiu-se a escorrer do pedestal com poder.

Despido de paixão caiu no chão como um cão sem o ser

Caiu sozinho e não baliu no rebanho.

No suspiro derradeiro da morte nem pensou em Portugal

Sem família, sem amantes e sem o povo pousou o cérebro

Na Cancela da sua individualista existência que quis. 

Infeliz e anti-natural é ser-se inimigo do povo amigo.

Ainda levamos com gotículas ressabiadas na saturação

Do seminário longínquo da adoração humana

Somente assente na comunhão da trindade de deus, pátria e família

Demasiados portugueses foram torturados, mutilados e mortos

Nos esgotos da ditadura do Estado Novo.                                   

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Paulo Fernandes nasceu em Abraveses, Concelho de Viseu em 1969, Bacharel no Curso de Professores do Ensino Primário, pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, concluindo a Licenciatura para o 1.º Ciclo do Ensino Básico no polo de Lamego da Escola Superior de Educação de Viseu. Especializou a sua formação para Educação e Desenvolvimento em Meio Rural no Instituto de Comunidades Educativas em Setúbal.
Desenvolveu a sua atividade profissional em vários locais, incluindo São Pedro do Sul, Campia (Vouzela) e Santa Cruz da Trapa (São Pedro do Sul).
Vive nas montanhas mágicas do concelho de São Pedro do Sul, na aldeia do Candal.

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O renascer da arte a brotar do Interior e a florescer sem limites ou fronteiras. Contos, histórias, narrativa e muita poesia.

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