Com o aproximar de mais umas eleições legislativas haverá, estou certo, um reforço daquilo que serão as propostas políticas dos diferentes partidos para o interior.

Há quem defenda que, para quem tem emprego, a qualidade de vida é hoje superior para quem vive no interior, comparativamente com os grandes centros urbanos. Sobretudo se estivermos a falar das sedes de concelho ou das pequenas cidades do interior.

Tenho sérias dúvidas de que assim seja. Desde logo porque não é possível garantir emprego para todos, para além de verificarmos hoje que o Estado nem sempre garante as necessidades básicas de quem cá vive e trabalha…
Os territórios do interior, ou de baixa densidade como hoje pomposamente lhes chamamos, debatem-se com problemas vários. A sua população, maioritariamente idosa e em número cada vez mais reduzido, é apenas um dos constrangimentos. Os poucos jovens que resistem, enfrentam diversas dificuldades, a começar pela fraca oferta de emprego, e pelas deficiências várias ao nível das infraestruturas e serviços.

Assistimos passivamente, ao longo dos últimos anos, ao encerramento de diversos serviços públicos, como as escolas, os tribunais, os serviços de saúde, e até a extinção de freguesias, que vieram contribuir para o despovoamento do interior e para o abandono do mundo rural. Assistimos ao encerramento de balcões dos bancos e de estações dos CTT. Assistimos à saída dos jovens, enquanto os mais idosos se resignam a viver cada vez mais sós e isolados nos locais que os viram nascer e onde sempre viveram.

Mas assistimos também aos discursos “redondos” dos partidos ditos do arco da governação, que prometem soluções para o interior em períodos de campanha eleitoral, mas que na prática não passam disso mesmo: Promessas! Não passam de discursos que intencionalmente pretendem fazer de conta que dizem alguma coisa, mas que na prática nada dizem…

Será necessário tempo, muito tempo, e audácia por parte de quem nos governa, para que o interior volte a ter futuro.

A audácia de travar – e reverter – o encerramento de serviços públicos essenciais, garantindo àqueles que por cá ficaram e aos que aqui se pretendam fixar, igualdade de tratamento e de oportunidades. Será imprescindível investir nas infraestruturas, rodoviárias e ferroviárias, para que os territórios se mostrem atrativos para os empresários que aqui se pretendam fixar, e que tão importantes são para a criação de emprego. É urgente que se verifiquem no interior mais oportunidades de emprego para além daquelas que atualmente são oferecidas pelos municípios e pelas IPSS’s locais. De outra forma não vamos lá…

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Nascido em Luanda - Angola em Junho de 1955. Em 1970 imigrou para a África do Sul, onde conclui o Ensino Secundário, e em março 1976 volta para Portugal, tendo fixado residência em Resende. Trabalhou como Técnico de Instalações Elétricas na Federação de Municípios do Distrito de Viseu entre 1977 e 1984, altura em que ingressou nos quadros de pessoal da EDP, onde se manteve até Fevereiro de 2008, tendo saído para a Pré-Reforma. Foi Presidente da Casa do Povo de Resende (IPSS) entre agosto 2002 e maio 2016. No âmbito do associativismo, faz ainda parte dos órgãos sociais da Associação de Karate Shotokan de Resende, do Clube de Natação de Resende e da Casa do Benfica em Resende. Foi vereador da Câmara Municipal de Resende, eleito nas listas do Partido Socialista, entre Outubro 2009 e Setembro 2017. Atualmente é membro da Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda.

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