A reestruturação da empresa levou a que, só no ano de 2018, fossem encerradas mais de setenta estações dos CTT em território nacional. Este é o retrato de um país que deixou de ter CTT públicos em 2014, cujos serviços têm vindo a ser desempenhados por Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, papelarias, e outros estabelecimentos comerciais.

Como é por demais evidente, os constrangimentos provocados são demasiados para quem estava habituado a ter a Estação dos CTT por perto, e tem agora que optar pelo serviço prestado por terceiros, que não disponibilizam os anteriores serviços na sua totalidade…
As populações mais afetadas, como não podia deixar de ser, são as mesmas de sempre: Aquelas que residem no interior do país.
Essencialmente pessoas idosas, que se vêm obrigadas a percorrerem dezenas de quilómetros, para receber as suas reformas ou pensões! São muitas vezes pessoas de baixa escolaridade e idade avançada, sem transporte próprio que lhes permita efetuar a necessária deslocação, e quase sempre residentes em zonas onde os transportes públicos não abundam ou, pior ainda, são inexistentes.

Por outro lado, o serviço prestado pelos CTT tem sofrido uma quebra muito significativa na sua qualidade, não assegurando muitas vezes o mínimo aceitável, estando algumas populações dias sem receber correio, algo que até aqui era diariamente assegurado.

Não é por acaso que temos vindo a assistir a um descontentamento generalizado em vários pontos do país, através de manifestações e concentrações da população, de moções a apelos ao governo da república, no sentido de ver travado o encerramento dos serviços dos CTT, revogada a concessão e reassumido o serviço público.

As entidades ou estabelecimentos que aceitaram prestar parte dos serviços até aqui disponibilizados pelos CTT, enfrentam ainda um problema adicional; Os baixos valores que auferem pela prestação do serviço. Por seu lado, as populações lamentam-se da falta de privacidade no atendimento, afirmando que quando vão levantar a reforma ou pensão, ninguém tem que ficar a conhecer o valor…

O contrato de concessão entre o Estado e os CTT termina em dezembro de 2020. Poderá assim ser reassumido o serviço público, caso o Governo chegue à mesma conclusão que as populações afetadas já chegaram faz tempo; É imperioso e urgente devolver os CTT à esfera pública, readquirindo a capacidade e responsabilidade pela sua gestão, por forma a garantir a sua sustentabilidade e viabilidade futuras e para que volte a ter condições para prestar um serviço que o país, as populações e os seus trabalhadores exigem.

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Nascido em Luanda - Angola em Junho de 1955. Em 1970 imigrou para a África do Sul, onde conclui o Ensino Secundário, e em março 1976 volta para Portugal, tendo fixado residência em Resende. Trabalhou como Técnico de Instalações Elétricas na Federação de Municípios do Distrito de Viseu entre 1977 e 1984, altura em que ingressou nos quadros de pessoal da EDP, onde se manteve até Fevereiro de 2008, tendo saído para a Pré-Reforma. Foi Presidente da Casa do Povo de Resende (IPSS) entre agosto 2002 e maio 2016. No âmbito do associativismo, faz ainda parte dos órgãos sociais da Associação de Karate Shotokan de Resende, do Clube de Natação de Resende e da Casa do Benfica em Resende. Foi vereador da Câmara Municipal de Resende, eleito nas listas do Partido Socialista, entre Outubro 2009 e Setembro 2017. Atualmente é membro da Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda.

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