O desenvolvimento dos territórios do interior passa, necessariamente, por conseguir colocá-los a gerar emprego e produzir riqueza. Trata-se de uma tarefa multidisciplinar, que deve envolver sobretudo empresários e autarcas e que deve contar com as (poucas) empresas que já estão no território, na sua maioria empresas familiares!

A economia do futuro contará com todas as empresas. As mais maduras, mas também as novas – até porque as novas empresas de hoje serão as empresas maduras de amanhã. Quem promove a atividade empresarial no interior conhece bem as dificuldades que tem de enfrentar para lançar novos negócios: falta de experiência, falta de financiamento e, não raras vezes, falta uma noção do mercado.

Cerca de metade do tecido empresarial português é composto por grupos familiares. São empresas que têm toda a complexidade de qualquer outra empresa, a que acresce a complexidade das dinâmicas familiares.
Como todas as empresas, também as empresas familiares têm pontos fortes e pontos fracos. Como pontos fortes o facto de terem clientes e experiência a lidar com eles. A maioria destas empresas já tem nome no mercado, têm uma estrutura financeira e credibilidade na Banca. Têm maquinaria e clientes, têm sustentabilidade, o que lhes permite sonhar com a conquista de novos mercados, ou serem mais competitivas naqueles mercados em que já operam.

Por outro lado, as empresas familiares também têm as suas debilidades. Muitas vezes os processos são tratados de forma mais informal, misturando os planos profissional e pessoal. Verifica-se uma certa relutância à inovação, o que nem sempre permite aproveitar as oportunidades de mercado. As duas maiores fragilidades neste tipo de organização, são o risco de colapso por não planearem a sucessão e alguma indiferença perante os desafios da revolução tecnológica.

Uma estratégia de desenvolvimento do interior terá que passar pelo apoio da capacidade competitiva das empresas familiares, algumas delas com mais do que uma geração a trabalhar na sua gestão. Em regra, as segundas gerações são mais qualificadas. Dominam melhor as línguas e dão mais valor à inovação.

A economia nacional fora dos grandes centros – sobretudo no interior – precisa muito de gente nova e empreendedora. Por isso, será um erro imperdoável não apoiar as empresas familiares que já provaram a sua capacidade para investir e ser competitivas, nas condições de isolamento em que muitas delas vivem. Importante também seria a fixação de novas empresas, empresas de maior dimensão, com capacidade para a criação de novos postos de trabalho, dando novas oportunidades a quem cá vive.

Ninguém investe num território onde falta quase tudo… Nós, aqueles que por cá vão ficando, já percebemos isso há muito! Pena que quem tem obrigação de ajudar a resolver estas (e outras) questões, continue de costas voltadas para este interior onde também se trabalha e produz riqueza. Nenhum empresário de sucesso está disponível para investir num território onde as acessibilidades são, ainda hoje, um problema por resolver, onde os serviços de saúde são deficitários, onde a qualidade da escola pública deixa muito a desejar, ou onde a justiça não funciona… e não vale a pena dizer que a população existente nestes territórios não justifica mais investimentos, pois isso não passa de mais uma desculpa para que as populações se continuem a ver forçadas a abandoná-los…

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Nascido em Luanda - Angola em Junho de 1955. Em 1970 imigrou para a África do Sul, onde conclui o Ensino Secundário, e em março 1976 volta para Portugal, tendo fixado residência em Resende. Trabalhou como Técnico de Instalações Elétricas na Federação de Municípios do Distrito de Viseu entre 1977 e 1984, altura em que ingressou nos quadros de pessoal da EDP, onde se manteve até Fevereiro de 2008, tendo saído para a Pré-Reforma. Foi Presidente da Casa do Povo de Resende (IPSS) entre agosto 2002 e maio 2016. No âmbito do associativismo, faz ainda parte dos órgãos sociais da Associação de Karate Shotokan de Resende, do Clube de Natação de Resende e da Casa do Benfica em Resende. Foi vereador da Câmara Municipal de Resende, eleito nas listas do Partido Socialista, entre Outubro 2009 e Setembro 2017. Atualmente é membro da Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda.

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