Estima-se que cerca de cinquenta mil idosos vivam atualmente sozinhos ou isolados em todo o país. 

Foram efetuados levantamentos em vários distritos no sentido de apurar o número de idosos a viverem sozinhos, uma operação a que a GNR chamou “Censos Sénior”. Estas operações revestem-se de grande importância, uma vez que permitem sensibilizar as populações sobre este fenómeno, mas também as IPSS’s que desenvolvem respostas sociais, nomeadamente o Serviço de Apoio Domiciliário ou Centro de Dia.

Viver sozinho ou isolado, nem sempre representa insegurança ou falta de proteção. No entanto, uma parte desta população mais idosa ainda vive sem água canalizada e sem energia elétrica. Se juntarmos a isto a falta de comércios e serviços nas nossas aldeias do interior, onde antigamente havia pequenos comércios locais, estações de correios e até farmácias, percebemos como tudo mudou – para pior – em pouco mais de duas décadas!

Apesar de todos estes constrangimentos, e de muitas vezes haver idosos a viver em péssimas condições habitacionais, ninguém os consegue convencer a mudar. Ninguém os consegue convencer que é necessários ter acesso a água canalizada e luz elétrica…

Mais do que números e estatísticas, é necessário trabalhar em conjunto. Não basta sinalizar, é preciso garantir o apoio de alguma Instituição. Os casos mais graves devem ser sinalizados à Segurança Social ou alguma IPSS local, caso exista. A estes idosos deverá ser garantido apoio diário (sete dias por semana) em suas casas, através do fornecimento de refeições, limpeza da casa, lavandaria, controlo da medicação e acompanhamento a consultas médicas.

Sabemos que as vivências daqueles que hoje são idosos não foram as nossas vivências. Sabemos que há muitos idosos a viverem sozinhos que não aceitam ajuda de ninguém. Queremos o melhor para os nossos idosos, mas sabemos bem que a maior dificuldade está, na maioria das vezes, no idoso querer (ou não) aceitar essa ajuda. 

O Serviço de Apoio Domiciliário é, na maioria das vezes, a família daqueles idosos que vivem sozinhos e isolados, mas que aceitam ajuda das Instituições. E são esses que, embora vivendo sozinhos e isolados, com este tipo de ajuda, viverão certamente mais felizes.

Outros artigos deste autor >

Nascido em Luanda - Angola em Junho de 1955. Em 1970 imigrou para a África do Sul, onde conclui o Ensino Secundário, e em março 1976 volta para Portugal, tendo fixado residência em Resende. Trabalhou como Técnico de Instalações Elétricas na Federação de Municípios do Distrito de Viseu entre 1977 e 1984, altura em que ingressou nos quadros de pessoal da EDP, onde se manteve até Fevereiro de 2008, tendo saído para a Pré-Reforma. Foi Presidente da Casa do Povo de Resende (IPSS) entre agosto 2002 e maio 2016. No âmbito do associativismo, faz ainda parte dos órgãos sociais da Associação de Karate Shotokan de Resende, do Clube de Natação de Resende e da Casa do Benfica em Resende. Foi vereador da Câmara Municipal de Resende, eleito nas listas do Partido Socialista, entre Outubro 2009 e Setembro 2017. Atualmente é membro da Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda.

Deixe o seu comentário

Skip to content