No final do século passado cheguei a Candal. Trazia no bolso do casaco o Bacharelato para trabalhar na escola as almas das crianças matriculadas no 1º Ciclo.

Quando perguntei à pastora que apascentava o rebanho junto à estrada se ainda estava longe de Candal, respondeu e apontou que era aquela aldeia lá em baixo. Quase não a visionei à primeira, pois estava tão encaixada e muito bem camuflada na paisagem.

Instalaram-me na Casa do Professor situada na saída oeste da aldeia já em direção a Arouca, do distrito de Aveiro.

Tinha chegado a um paraíso na Terra!

Ao fim de uma semana de trabalho com as crianças decidi viver em Candal até à minha partida para as estrelas.

Cá continuo a viver nesta aldeia bonita e harmoniosa com a paisagem de serranias magníficas.

Agora, assisto à descaracterização da ruralidade ao ver construções desapropriadas à cultura serrana e rural.

Os velhos edificadores de muros em pedra crua, sem cimento, devem deitar maldizeres e pragas a estas construções, porque quem morre continua a ver o que os descendentes fazem cá na aldeia.

Dantes construíam-se casas e palheiros com xisto, cobertas de lousa e seguras com agulhas de granito. Eram casas onde pelos buracos entrava o calor, o frio e a alegria do Sol nas vozes das crianças.

Meu coração entristece a cada dia que vejo mais destas construções que chocam a paisagem e os seres sensíveis.

A poluição visual está viva em Candal, ela acontece quando certos elementos não arquitetónicos distorcem a estética de um local. Trata-se, essencialmente, de uma sobre-estimulação visual na qual o observador percebe claramente uma invasão do espaço físico.

Será que o Município Sampedrense, nomeadamente o arquiteto ou o vereador do ambiente, responderá pelas atrocidades que acontecem em Candal?

Serão estas, Montanhas Mágicas, aldeias preservadas que vale a pena visitar?

Outros artigos deste autor >

Paulo Fernandes nasceu em Abraveses, Concelho de Viseu em 1969, Bacharel no Curso de Professores do Ensino Primário, pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, concluindo a Licenciatura para o 1.º Ciclo do Ensino Básico no polo de Lamego da Escola Superior de Educação de Viseu. Especializou a sua formação para Educação e Desenvolvimento em Meio Rural no Instituto de Comunidades Educativas em Setúbal.
Desenvolveu a sua atividade profissional em vários locais, incluindo São Pedro do Sul, Campia (Vouzela) e Santa Cruz da Trapa (São Pedro do Sul).
Vive nas montanhas mágicas do concelho de São Pedro do Sul, na aldeia do Candal.

Deixe o seu comentário

Skip to content