A Catarse-Movimento Social tinha desafiado, mais uma vez, Vila Real a juntar-se à 4ª Marcha pelos Direitos LGBT+. Infelizmente, os dias que vivemos não nos permitem marchar, na rua, como gostaríamos. São tempos difícil para todas e para todos. São tempos de confinamento social e, mesmo esse, não é igual para todas e todos.

Volvidos quatro anos desde a primeira marcha e continua tanto por fazer. Na 3ª Marcha pelos Direitos LGBT+ de Vila Real, a Catarse já tinha alertado para forte ascensão das vozes de ódio da extrema-direita contra os direitos LGBT+ em Portugal. Foi uma luta de tantas e de tantos para que hoje pudéssemos aqui estar sem vergonha e sem medo. Torna-se, assim, especialmente importante lembrar todas aquelas e todos aqueles que por nós lutaram. A luta em Portugal pelo ativismo LGBT+ remonta aos anos 80, quando se dá a primeira tentativa visível de ativismo homossexual com o nascimento do Coletivo de Homossexuais Revolucionários. Só quase 10 anos após o 25 de Abril (em 1982) foi feita uma revisão do Código Penal e foi retirada a homossexualidade dos atos puníveis.

Hoje, somos confrontados com a homofobia gratuita publicitada por programas televisivos ou por partidos políticos com assento parlamentar. Pela primeira vez na história pós-25 de abril, Portugal elegeu um deputado da extrema-direita, cujo programa partidário defende “O fim da promoção, pelo Estado, de incentivos e medidas que institucionalizem os casamentos entre homossexuais e a adoção de crianças por “casais” homossexuais” (note-se que este partido se refere aos casais homossexuais usando aspas). Recentemente, um programa televisivo, o Big Brother na TVI, tem oferecido um espetáculo tenebroso de um homofóbico com todas as câmaras a apontarem para si. A Catarse-Movimento Social repudia todo o tipo de crimes de ódio e publicitação homofóbica gratuita por parte de um canal televisivo.

Companheiras e companheiros, hoje, mais do que nunca, é preciso que a sociedade se mobilize para fazer frente a vozes reacionárias que incentivam a retirada oficial de direitos que são de todas e de todos.

E aqui estamos nós. Apesar de a marcha não se fazer na rua, não a deixaremos de organizar. Levamos Vila Real para o mapa da igualdade em formato online.

Marchamos pelas redes online e pelas linhas criadas para que a mensagem da autodeterminação de género ligue o mundo e se ligue ao mundo. A autodeterminação não é um privilégio: é um direito fundamental à existência humana!

Marchamos online porque acreditamos numa nação igualitária, onde a orientação sexual, a trans e intersexualidade não são obstáculos à hegemonia, mas sim parte integrante desta.

Continuaremos a marchar por todas e todos que estão em casa: por vergonha de si mesmos, pelo pensamento afligido de ver as famílias que os abandonaram ou os confinaram, pelos patrões que os perseguem, pelos amigos que se tornam inimigos, pela solidão antecipada, pelo vazio que vem depois.
Mas aqui estamos para mostrar a quem mais sofre que não estão sozinhas e sozinhos. Continuaremos a ser a vossa voz. Porque marcharemos, sempre, por vós, por nós e por todas e todos.

Dizemos não à discriminação. Não ao discurso de ódio.
Dizemos sim à tolerância. Sim ao direito à igualdade.

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CATARSE é contra qualquer atentado à liberdade/dignidade Humana.

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