Foi publicado ontem o Relatório europeu sobre Ambiente, onde se destaca a necessidade de maior ousadia nas políticas, no conhecimento, nos investimentos e na inovação. Este documento, apresentado na APA, fornece uma avaliação abrangente e integrada do estado, das tendências e das perspetivas do ambiente europeu num contexto global. O panorama comparativo de Portugal não é famoso, somos dos países que mais utilizam a viatura própria, o que dá uma imagem dos maus transportes públicos e da opção da construção de auto-estradas em detrimento do transporte ferroviário menos poluente. Por outro lado, somos dos países da Europa com maior extensão relativa de áreas protegidas, o que parece ser muito bom,

mas obviamente só por si não se traduz por uma gestão adequada, dado que o ICNF responsável pela sua gestão é um dos organismos mais sub-orçamentados, a viver sempre numa pobreza franciscana,

e os nossos Parques e áreas protegidas em geral, carecem de medidas de ordenamento. Enfim, o relatório aponta também para sermos dos que menos reciclam, para o facto de termos numerosos cursos de água com excesso de nutrientes, etc.
Mas depois dum Ministério de Assunção Cristas em que o Ambiente pareceu não existir, o nome ministro, bem mais dinâmico, aponta as suas baterias para a dita fiscalidade verde, que não é mais do que um imposto sobre os combustíveis e cuja receita não se destina ao Ambiente (enfim, vá lá, 10% são para o ambiente…). E agora temos a política dos sacos de plástico.

Não é com medidas destas avulsas e mediáticas que se melhoram as condições ambientais.

E até com resultados mais perniciosos, veja-se que os comerciantes estão a substituir os sacos finos, de menos 50 micras, por outros mais grossos. Enfim, dizia eu, não é com uma política de sacos e saquinhos que o ambiente melhora. Precisamos de medidas estratégicas, que diminuam o acentuar da desertificação e melhorem a qualidade do ar e da água. As directivas europeias no domínio do ambiente são rapidamente transpostas para depois não serem implementadas, até porque em tempos de crise o ambiente deve ser sacrificado. Veio a política dos sacos, mas deste governo, em termos de ambiente, estamos a ficar com o saco cheio.

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Professor Catedrático da UTAD e membro do Conselho Geral da Universidade. Doutorado em Ciências Florestais. Especialista na área dos Recursos Hídricos e Ecologia Aquática. Investigador do CITAB. Membro do Conselho Nacional da Água (em representação do Conselho de Reitores) e do Observatório Independente dos Fogos Rurais (nomeado pela Assembleia da República).

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