Teve lugar na UTAD o debate “Descentralização – entre o bom senso e o consenso”. Não foi de modo algum mais um debate sobre descentralização. Foi na verdade um debate interessantíssimo, que contou na abertura com o 1º ministro e no encerramento com o Ministro da administração interna. Obviamente com o alheamento da comunidade docente e discente da universidade e funcionários, salvo honrosas exceções, certamente com ocupações mais importantes. Mas o que queria realçar foi a grande convergência de opiniões da direita à esquerda sobre a necessidade de regionalização. Há portanto um qualquer desfasamento entre o que pensam os especialistas e políticos de diversos quadrantes sobre esta matéria, cuja prioridade saltou para a 1ª página das agendas políticas após os fogos dramáticos do ano passado e a necessidade de inscrever a regionalização nos programas eleitorais dos diversos partidos.

A necessidade dum duplo referendo, inscrito na constituição é realmente um forte obstáculo, mas não explica tudo.

Há um sentimento que a atual ideia da municipalização, isto é transferência de competências para os municípios, por si só não vai trazer maior coesão territorial, porque tenderá a favorecer os municípios de maior dimensão. Quantos mais fogos e outros dramas num interior desertificado serão necessários para se procurar alterar as terríveis assimetrias dum estado mais centralizado da europa?
A empresa Infra-Estruturas De Portugal mostrou o panorama das nossas linhas de caminhos de ferro. Ou o que resta delas depois da destruição de toda a via estreita.

A linha do Douro tem 2/3 da sua extensão em mau estado. Todo o troço Régua-Pocinho é uma aventura. Mais de 2/3 dos acidentes ferroviários dos últimos anos situam-se precisamente nas linhas do Douro e da Beira Alta.

O interior sempre desprezado e a única coisa que se vê mexer são as áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto que querem mais autonomia. Até quando a regionalização será uma miragem no deserto? E nós somos os camelos…

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Professor Catedrático da UTAD e membro do Conselho Geral da Universidade. Doutorado em Ciências Florestais. Especialista na área dos Recursos Hídricos e Ecologia Aquática. Investigador do CITAB. Membro do Conselho Nacional da Água (em representação do Conselho de Reitores) e do Observatório Independente dos Fogos Rurais (nomeado pela Assembleia da República).

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