Antes de mais, porque abril e maio são meses de espontaneidade, recordo Miguel Torga: “É escusado. Não posso ter outro partido senão o da Liberdade”… Há duas semanas atrás, a propósito das comemorações dos 45 anos do 25 de Abril, Almeida Henriques, Presidente da Câmara Municipal de Viseu (eleito em 2017 com 51,7% dos votos), escreveu algures que

seria útil que as comemorações do dia da liberdade fugissem aos rituais protocolares estéreis (do costume, acrescento eu) e se pusesse o dedo nas feridas do regime.

Lembrou, também, os populismos larvares, a demagogia antidemocrática, a justiça justiceira refém do (i)mediatismo e o descrédito das instituições. Aproveitando tal exteriorização de pensamentos e sentimentos íntimos, vou lembrar parte pequena da nossa melancólica história triste, escrita por um tipo de políticos menores. Ora leiamos: em 2010, já a crise neoliberal anunciada maltratava parte da população, Portugal investia cerca de dois mil milhões de dólares na Colômbia! Ao invés, a Colômbia investia zero dólares em Portugal… O negócio de então foi continuado pelo ministro de estado e dos negócios estrangeiros (Paulo Portas) e pelo vice-ministro da economia da altura (Almeida Henriques) e por quarenta e três empresários de nacionalidade portuguesa, entre os quais o “dono” do PSD Viseu de então, Joaquim Alberto Vieira Coimbra (o homem da Labesfal que ficou a dever cerca de cento e vinte milhões de euros aos portugueses, via Banco Português de Negócios e Banco Espírito Santo). Na altura, os investimentos na Latina América, tal como os investimentos colombianos em Portugal “eram uma prioridade para o nosso País”.

Passados alguns meses, os mesmos representantes da nação, juntamente com os mesmos empresários da ocasião, visitaram a Venezuela de Hugo Chávez: Paulo Portas e Almeida Henriques queriam que cada embaixada e cada consulado fosse um centro para a promoção das marcas e dos produtos portugueses, pois consideravam que Portugal não podia manter-se refém das exportações para a Europa.

Diziam, também, que Portugal deveria tornar-se mais tecnológico, através da instalação de competências, nomeadamente no âmbito da energia eólica e da indústria farmacêutica! À data, nada sabemos sobre o projeto “América Latina”, nem tão pouco acerca do companheiro Joaquim Alberto Vieira Coimbra que fez fortuna depois de ter casado com Maria João, filha do fundador da firma de Tondela Laboratórios Almiro. Tendo em conta esta e outras trapalhices, concluo que o companheiro Coimbra deverá ser uma das feridas do regime que Almeida Henriques lembrou, pois Joaquim Coimbra, para além de ter criado ligações profundas com Arlindo de Carvalho (antigo ministro da saúde do governo PSD e ex-presidente da Sociedade Lusa de Negócios sentenciado com seis anos de prisão pelos crimes de burla qualificada e fraude fiscal), Marques Mendes e ngelo Correia, contribuiu para o aumento da ferida traumática que atormenta o nosso regime democrático desde a saga António Guterres. Poderia listar Todos os nomes ligados ao eixo do mal que têm arruinado a nossa democracia, porém, deixo espaço para pensarmos sobre “o inconformismo e os males dos nossos dias, que devem dar lugar a uma consciência ativa e global”.

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Nasceu e cresceu em Viseu, no seio de uma família com fortes raízes na cidade. Vive em Lisboa desde 2007 e desenvolve o seu trabalho, como consultor financeiro, no projeto Anytime Consulting. É dirigente associativo desde muito novo, estando ligado à política, ao desporto e à economia. Na luta do dia a dia tem avançado superando os fracassos, tendo em conta que o carácter de cada homem é mediador da sua “sorte”.

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