Rescaldo de uma noite de eleições

Neste dia de rescaldo pós eleições, é preciso analisar e refletir. A União Europeia está a ser invadida por uma extrema direita sem escrúpulos e com uma agenda de ódio, preconceito e divisão entre os cidadãos.
eleicoes-boletim-voto
Foto Interior do Avesso.

Esta onda de destruição dos valores e direitos obtidos tende a aumentar. Na Itália, a extrema direita venceu com 28,8%, na França com 31,37%, na Áustria, com 27%, só para nomear alguns resultados.

Mas, em Portugal, a extrema direita perdeu. Com intenções de ganhar estas eleições, ficaram muito aquém, com 9,79% dos votos. Foi uma das grandes exceções nestas eleições europeias, divergindo da tendência actual na Europa.

O Bloco perdeu um mandato, é verdade. Mas perante as circunstâncias adversas, perante o populismo, os recorrentes discursos de ódio, a incerteza, as consequências das guerras que continuam a destruir vidas, o Bloco persiste; o Bloco continua, e, como sempre, é a luz de esperança, em nome da paz, da inclusão, dos valores inclusivos; em defesa dos direitos humanos, das mulheres, da comunidade LGBTQ+, em prol de uma sociedade com consciência, empatia e que recusa a vergar perante o ódio perpetuado pela extrema direita.

A Catarina Martins, com a sua irreverência e dedicação, irá lutar por uma Europa mais justa. É, sem dúvida, a melhor escolha para este desafio, para ser o ar fresco no meio do bafio do ódio e preconceito, dos gritos de guerra, da tentativa de controlo por parte de quem se sente ameaçado pela diferença.

Não perderemos a esperança, nem aquele fogo que nos move. Pela defesa dos mais fracos, pela voz dos que ninguém quer ouvir, pela protecção dos que são alvo deste ódio desprezível.

Martin Luther King disse que “a escuridão não pode combater a escuridão; só a luz pode fazer isso. O ódio não pode combater o ódio, só o amor pode fazer isso”. O Bloco é a representação dessa luz e desse amor.

Não foi uma derrota como dizem, mas sim a confirmação que o Bloco está aqui para ficar e para quebrar as crescentes tendências na Europa, que apenas pretendem dividir e destruir.

À Catarina Martins o meu obrigado por seres o rosto desta luta, por seres o farol numa noite escura e a esperança que, no fim, será a luz e o amor que irão prevalecer.

Elisabete Frade/Shenhua

Nasceu em Évora em 1981 e desde então passou por Arraiolos, Mem-Martins, Coimbra, Lisboa e Viseu.

Tirou um curso profissional de Turismo, um curso de Inglês para Empresas e uma Licenciatura em Relações Internacionais, especializando-se em Estudos Europeus, estagiando na Câmara do Comércio da Itália.

Morou quase uma década na Holanda, trabalhando numa empresa internacional organizadora de conferências para empresas e, mais tarde, na área da tradução para empresas internacionais e privados, tendo ido viver para a Escócia.

Regressou a Portugal e desde então é a cuidadora informal da sua mãe idosa.

Related Posts
Skip to content