Foto por Manuel Mateus | Flickr

A semana passada, constatei que realmente terei que continuar na lista de reserva de recrutamento, não é que não faça falta na escola pública, nem que alguém tenha considerado mau o meu trabalho – até tive muito bom na avaliação de desempenho docente. Existe alguma possibilidade de vir a fazer falta e ter que me desunhar a trabalhar… algures em qualquer parte do país. Mas, entretanto, a vida fica em suspense. A vida não, as vidas! A minha, a da minha filha, a daqueles que queiram fazer planos e contar comigo… e até a de um grupo de alunos algures em qualquer sítio temporal à minha espera. Mas não vou falar disso hoje. Não vou falar de como a classe docente é tratada com menosprezo, como todo o processo de solicitação de subsídio de desemprego é injusto, de como já há muito deveriam deixar de ir a concurso intervalos de horário letivos de 8 horas, porque é uma miséria de salário, porque prejudica em termos de descontos para a segurança social e nos direitos à atribuição de subsídio de desemprego. Também nem sequer vou tocar no assunto sobre como está a arrancar o ano letivo cheio de indicações contraditórios e como vai cair sob a vértebra do corpo docente e não docente a responsabilidade de educar e preservar a saúde pública. E é que nem pensem que me vou atrever em mencionar o Avante nem como a direita mesquinha, inclusive na pessoa do Sr. Presidente da República, o Professor Marcelo, aquele que gosta de ir ver jogos de futebol, fez barulho à volta desta questão. 

Mas, realmente eu gostava de falar de consensos, de coisas construtivas, daquilo que une, daquilo que em suma faz falta! E a propósito do que faz falta, o meu pensamento mais feliz neste momento é saber que teremos pela frente uma nova campanha, que farei com muito orgulho pela candidata à Presidência da República Marisa Matias. Estaremos com ela, lado a lado, a fazer o que é preciso. A Marisa é a Presidente da República que faz falta a um país democrático, progressista onde possamos viver em paz e com prosperidade. É a mulher corajosa, firme, com capacidade de trabalho, sensatez e empatia que usará como sempre os seus braços que abraçam, pessoas e causas, e que é capaz de fazer pontes!

E hoje eu desejo mesmo falar de pontes, porque o que faz falta no mundo são as pontes que nos ligam, que persistem para nos vincular uns aos outros, a nós mesmos e ao passado. É importante não nos desvincularmos do passado, mantermos memória e revermos as memórias e o passado com perspetiva analítica e crítica. Por exemplo, a Ponte de Trajano sobre o Tâmega, será que deveria chamar-se assim? Foram os romanos que a mandaram construir e foram os Povos ocupados pelos Romanos que acartaram as rochas e as lapidaram e as sobrepuseram? Que achamos hoje, nós sociedade evoluída, emancipada, civilizada na verdadeira aceção destes conceitos, sobre o facto de uma Ponte, que trouxe irrevogavelmente vantagens na expansão e no progresso da Península Ibérica ao criar e reforçar as vias de comunicação, mas que paradoxalmente também simboliza a subjugação dos povos nativos e tudo o que representa a colonização? E como poderemos refletir numa dinâmica que revisita a história sempre com uma nova perspetiva mais esclarecedora e mais humana, se os seus símbolos forem degradados? 

A Ponte Romana, não é só uma ponte por onde se atravessa para alcançar a outra margem. Aquela ponte flaviense sobre o Tâmega é uma ponte que pertence a toda a Humanidade, como monumento nacional, assim reconhecido, liga a Humanidade ao seu passado histórico.

Ao contrário de outros monumentos, este está bem preservado – menos mal. Para que assim continue, devem ser mantidas e implementadas medidas que para isso contribuam. 

Há decisões em que os factos e aspetos técnico e científicos devem ter o peso e a ponderação essenciais, e por muito impopulares que possam ser essas decisões, os órgãos de poder local devem ter uma atitude responsável e fazer o trabalho necessário para as implementar, devem pesar defender e trazer à luz os factos, os estudos e análises desse teor.  A questão sobre o concorda ou discorda que a ponte seja atravessada por automóveis, ilude as pessoas sobre para que servem os referendos e sobre as medidas de preservação do património. Por outro lado, era importante refletirmos sobre alguns aspetos como a quantidade de recursos que são gastos num referendo deste tipo. Bem como refletir como seria interessante realizar referendos sobre a posição da população relativamente a outros assuntos de relevância que se prende com diversos serviços públicos, sobre saúde pública, bem-estar animal, e até mesmo sobre o usufruto ou não da exploração de espaços e monumentos públicos por entidades privadas… entre tantas outras que podem surgir.

Em vez do barulho criado por este referendo e da ausência de uma atitude responsável, sem receio de medidas impopulares, o povo flaviense gostava de ouvir dos órgãos de poder local, nomeadamente dentro do que são as responsabilidades do Sr. Presidente da Câmara Nuno Vaz, novidades sobre a saúde dos nossos serviços de saúde pública, aqueles que realmente fazem frente à crise pandémica que estamos a passar. 

Mas, resta-nos confiar que Marisa Matias será a Presidente da república que está por um Serviço Nacional de Saúde forte e por todos aqueles que estão na linha da frente em combate ao Covid 19.

Outros artigos deste autor >

Nasceu em Chaves no ano de 1979.
Licenciada em Ensino Biologia-Geologia pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, no ano de 2001. Mestre em Ciências de Educação - Especialização em Animação Sociocultural pela UTAD. Frequentou o 2.°ciclo do curso Bietápico de Licenciatura em Engenharia do Ambiente e do Território do Instituto Politécnico de Bragança.
Lecionou, como docente contratada do grupo de Biologia e Geologia, em várias escolas do país.

Deixe o seu comentário

Skip to content