Foto de Ana Feijão

Segundo o INE, em Portugal, em 2019, havia 163 idosos por cada 100 jovens.  A sociedade vê o envelhecimento como um problema, relacionado com o indivíduo enquanto indivíduo produtivo e consumidor. O desejo de não envelhecer e o culto da imagem da juventude tornam-se elementos do consumismo. 

O envelhecimento demográfico, habitualmente, também é visto com fator da insustentabilidade do sistema de segurança social.  Contudo, há autores/investigadores que defendem o contribuir mais e de forma justa e proporcional por parte daqueles que mais lucros têm, e neste caso não estamos a falar dos trabalhadores dependentes, nem das pequenas empresas, mas de multinacionais e outras instituições financeiras. Ou seja, a taxação das grandes riquezas e fortunas, das empresas digitais que não contribuem para a criação de emprego, seria o caminho para a aumentar a receita para a sustentabilidade da segurança social, que apoia quem precisa ser apoiado.

É assim que a longevidade, enquanto conquista da civilização humana deixa de ser vista como uma oportunidade, para os próprios ou para a sociedade.

Atualmente estamos perante dois fenómenos nefastos que se potenciam um ao outro: somos um país envelhecido que está a passar por uma pandemia.

Com a pandemia, verificamos que foram expostas as dificuldades no apoio aos idosos. Sendo mais vulneráveis à Covid-19, e procurando salvar as suas vidas, assistimos a um implementar de medidas que levaram ao seu completo isolamento. Os lares revelaram que não estavam preparados para esta pandemia, em nenhum dos aspetos, confirmando-se que as condições em muitos deles eram extremamente deficitárias. Percebeu-se, que na verdade, a pessoa idosa não é tratada como cidadão de pleno direito sem direito a cuidados de saúde nem à participação cívica. E, começaram-se ouvir vozes a apelar que é preciso, agora mais do que nunca, repensar o envelhecimento.

Políticas adequadas no âmbito do envelhecimento, são também políticas adequadas às condições ao longo da vida. É preciso pensar nos idosos, não como um grupo social específico, mas como o grupo social a que todos pertencemos.

É preciso pensar em políticas laborais para a família, que permitam espaços para intergeracionalidade, para a promoção de relações de afeto e solidariedade; valores essenciais para a sustentabilidade de uma sociedade.

Um envelhecimento com dignidade, é ter direito aos cuidados e assistência, oportunidade de preservação da saúde física e mental, bem como envelhecer com cidadania e participação ativa em diversos âmbitos da sociedade. Como comunicamos e participamos se formos analfabetos digitais e não acompanharmos a evolução do conhecimento? O direito à educação ao longo da vida revelou-se pertinente neste contexto de pandemia e isolamento, uma vez que as ferramentas de comunicação e participação implicam o domínio das tecnologias de informação e comunicação.

Importa ressalvar que um dos motivos pelos quais o Bloco de Esquerda votou contra este Orçamento de Estado prende-se com fato de não dotar a Saúde de recursos suficientes. Além disso, entre outros aspectos, o Governo não  cumpriu medidas acordadas no Orçamento de Estado de 2020, nomeadamente no que se refere ao estatuto dos cuidadores informais e no reforço do complemento solidário para idosos.

Recordamos, ainda, que foi proposta do Bloco de Esquerda, recusada pelo governo, responder ao envelhecimento da população com programas de gestão de doenças crónicas, alternativas à institucionalização e reforço dos cuidados domiciliários.

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Nasceu em Chaves no ano de 1979.
Licenciada em Ensino Biologia-Geologia pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, no ano de 2001. Mestre em Ciências de Educação - Especialização em Animação Sociocultural pela UTAD. Frequentou o 2.°ciclo do curso Bietápico de Licenciatura em Engenharia do Ambiente e do Território do Instituto Politécnico de Bragança.
Lecionou, como docente contratada do grupo de Biologia e Geologia, em várias escolas do país.

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