A homofobia representada num banco: e se fosse uma pessoa?

“Pintou-se um banco com as cores do movimento LGBTQIAP+ na Guarda com o objetivo de reivindicar o espaço público e dar assim visibilidade a questões sociais que ainda são tabu no interior. […] Poucos dias depois da pintura do banco na Alameda de Santo André o mesmo foi vandalizado”

Pintou-se um banco com as cores do movimento LGBTQIAP+ na Guarda com o objetivo de reivindicar o espaço público e dar assim visibilidade a questões sociais que ainda são tabu no interior. Dar espaço de fala àquilo que faz parte da vida de muitas e muitos jovens. Para além desta ação, medidas têm vindo a ser construídas para que o interior mais justo, diverso, acolhedor e que seja finalmente de todas as cores. Sítio onde todas e todos que aqui cresçam tenham a liberdade de ser e de existir sem obstáculos e das mais diversas formas. 

Poucos dias depois da pintura do banco na Alameda de Santo André o mesmo foi vandalizado, onde uma das tábuas foi partida e depois arrancada. A questão que coloco é: e se este ódio e homofobia num simples banco fosse em uma pessoa? Mas a infeliz realidade é essa, todos os dias uma pessoa lgbt é alvo de ataques, sejam eles verbais ou físicos, outras são mortas, mas ninguém fala dos seus nomes, ninguém denuncia a perda daquelas vidas como um crime de homofobia. Agora é cada vez mais necessária fazer a luta contra a opressão que ainda existe, com o crescimento de uma direita intolerante e cinzenta, que apenas olha para os próprios umbigos e interesses do sistema patriarcal heteronormativo.  

Olhamos para a terrinha com um carinho imenso e pensamos em como seria bom um dia voltarmos para ela, para casa, porém, será realmente casa quando nos deparamos com estas reações a um simples banco? Comentários de ódio e vandalização do mesmo? A verdade é que este banco representa-nos, muitas e muitos jovens se revêm nele, sentimos a vossa homofobia e ataques como se a nós estivessem a ser dirigidos, porque estão mesmo. Um banco com cores que têm rostos. Rostos de Resistência e Liberdade, de quem não desiste de lutar. 

Sabemos bem que um banco não acaba com a homofobia e o conservadorismo que teima em não mudar, mas a visibilidade que cria este movimento e a abertura de espaço de fala para estes temas tão importantes é uma maneira de lutar e mostrar que temos garra para tal. Arregaçar as mangas e encontrar soluções para compor o banco foi aquilo que camaradas e amigues fizeram, ele está intacto e de volta, e voltaremos a fazê-lo as vezes em que o ódio tentar gritar mais alto. Pois vos garanto, todo esse ruído não passará.

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Beatriz Realinho, de 21 anos, natural da Guarda. Licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa. Está no mestrado em Estudo sobre as Mulheres: As Mulheres na Sociedade e na Cultura, na mesma instituição.

Faz parte de diversos movimentos e coletivos sociais, ambientais, LGBTQIAP+ e Feministas, sendo coautora do podcast “2 Feministas 1 Patriarcado”.

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