“A arte de bem cavalgar toda a sela” foi um livro escrito por el-Rei D. Duarte I. Este seria o livro indicado que recomendaria para todos os sábios que nos brindam com a sua existência. Só não o recomendo porque quedou-se inacabado com a morte do seu autor. É por isso que faço um pequeno resumo muito útil do livro que não li.

Dedico este resumo a algumas pessoas cujos nomes não posso elencar porque, quem sabe, um dia possa precisar que me emprestem uns metros quadrados para acampar lá nuns jardins no Reino da Bacalhoa.

O primeiro a reter “n’A arte de bem cavalgar toda a sela” é esquecer a sela, a sela não importa, qualquer “banco” servirá.

Esqueça a sela – a não ser que a sela seja tão perfeita como uma obra de arte.

É importante a escolha de um cavalo com forças suficientes para carregar ações – penso que não sejam pesadas – e obras de arte. Não precisa de dispor de um esbelto cavalo branco como o de Napoleão, um burro robusto também servirá.

Para subir ao cavalo junte dois ou três banqueiros bem alinhados, baixe-os de forma a conseguir subir confortavelmente sobre o costado de tais.

É essencial a este propósito ter um título nobiliárquico como conde ou barão, no sec. XXI serve uma comenda.

Cavalgue a trote para que todos o observem e pelo caminho diga adeus aos “velhinhos” e todos os cidadãos, a vulgar plebe, que finge ajudar – nunca toque, podem-se pegar coisas, aceite só o dinheiro que lhe mandam docemente. Presenteio-os com as suas gargalhadas orgulhosas.

Depois de tudo, providencie uma garagem para guardar o cavalo e aja sempre com superioridade e bom humor que caracteriza um senhor bem cavalgante. Não guarde o cavalo na garagem!

Nunca deixe que a plebe o incomode com perguntas, se isso acontecer arremeta-lhes advogados enquanto beija obras de arte que NÃO são suas.

Caros senhores, sejais humildes e filosóficos, porque “nada nos pertence”, o homem não tem nada, veio nu ao mundo e em pó se tornará. Tudo é seu, mas nunca tenha nada.

Se nada disto resultar, arranje um bom e dedicado primo.

Desejo a V. Exas. um eloquente trote.

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Paulo Rodrigues, Santa Comba Dão, começou a escrever muito cedo.
Participou em várias coletâneas de poesia, prosa ou contos infantis organizadas por vária editoras como a "Orquídea Edições", "Lua de Marfim" e "Modocromia". Escreveu também por diversas vezes em edições "Sui Generis" e a prestigiada "Chiado Books".
Colaborou na organização da fanzine lançada em Santa Comba Dão, "Cabeça Falante", que inaugurou a editora recém-criada "Canhoto Esquerdino R", onde foi Assessor de Comunicação não remunerado.
É criador e administrador do blog "lagrimasdavida.blogspot.pt"

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