Estávamos em 28 de dezembro de 1895, na cave do Grand Café, em Paris. Dois talentosos irmãos de nome Lumière, exibiram pela primeira vez uma série de dez filmes com a duração imagine-se de 45 segundos cada um. Dois dos filmes desta primeira sessão chamavam-se “A saída dos operários da Fábrica Lumière” e “A chegada do trem à Estação Ciotat”. A título de curiosidade, estes filmes de 45 segundos tinham um rolo de película com quinze metros de comprimento! O primeiro equipamento utilizado, por estes talentosos irmãos, para filmar e projetar, ficou conhecido como “cinematógrafo”.

Daí em diante, pelo mundo fora, foram proliferando milhares de salas de cinema, onde a sétima arte fazia (e faz) sonhar (e por vezes chorar) milhares de pessoas.

Quantos filmes fazem parte do nosso imaginário? “Voando Sobre Um Ninho de Cucos”; “Casa Blanca”; “Música no Coração”; “O Padrinho”; “A Lista de Schindler”; “O Senhor dos Anéis” “E Tudo o Vento Levou”. Ou aquele lendário filme “Chove em Santiago”, que nos fala da tortura e da cruel ditadura, implementada por Pinochet no Chile, desfazendo-se de forma abjeta e cruel do grande Salvador Allende, a quem o povo chileno tinha confiado os destinos do seu país.

E os atores e as atrizes que tanto recordamos, Charlie Chaplin, James Dean, John Wayne, Marlon Brando, Sean Connery, Paul Newmanm, Robert De Niro, Harrison Ford, Al Pacino, John Travolta, Sylvester Stallone, Mel Gibson, Kevin Costner, Tom Cruise, Brad Pitt, Leonardo DiCaprio, Meryl Streep, Cate Blanchett, Bette Davis, Helen Mirren, Jessica Lange, Jodie Foster, Ingrid Bergman, Elizabeth Taylor e tantas outras e outros que nos fizeram felizes, nem que seja por uns escassos momentos, no “escurinho do cinema”, como cantava Rita Lee.

De repente, ao falar neste assunto, dei comigo a pensar na minha terra, Carregal do Sal, onde o cinema teve sempre um afeto muito especial, dos carregalenses. Desde muito cedo, existiu em Carregal do Sal o conhecido “Cinema Velho”, bem no centro da vila, onde eram projetados os clássicos da época e cuja numerosa assistência vibrava a ver as aventuras e desventuras dos filmes que aí passavam. Mais tarde, surgiu, nas antigas instalações dos Bombeiros Voluntários de Carregal do Sal (hoje infelizmente votadas ao abandono e esquecimento!), o “Cine Bizarro de Figueiredo”, onde tantos filmes chegaram à tela. Havia cinema semanalmente. Os filmes eram quase sempre cabeça de cartaz a nível nacional. Eu assisti a imensos nesse místico cinema, e eles muito contribuíram para minha formação pessoal e social.

E hoje? Hoje “E tudo o vento levou”. Carregal do Sal não tem uma sala cinema! Trata-se de um recuo civilizacional. Por mais que se fale de cultura neste meu querido concelho, ela ficará sempre com nota negativa por esta triste situação.

Mas, pode tudo pode mudar, penso que já faltará pouco… E Carregal do Sal voltará aos seus tempos de glória com muitos filmes para sonhar e viver!…

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Professor, de 52 anos.
É natural de Carregal do Sal, onde reside e trabalha, sendo no momento docente do Agrupamento de Escolas de Carregal do Sal.

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